Editorial

Chegou o Carnaval

Folia em Belo Horizonte já é reconhecida entre as mais animadas no País
Chegou o Carnaval
Foto: Divulgação/ Patrick Arley

Belo Horizonte foi, até recentemente, destino para turistas que procuraram fugir do Carnaval e encontravam na cidade, por inteiro alheia aos festejos, o sossego desejado. Impressiona como a situação mudou e, relativamente em pouquíssimo tempo, com os festejos em Belo Horizonte hoje reconhecidos entre os mais animados no País, destino já procurado inclusive por estrangeiros. À semelhança do que aconteceu no Rio, São Paulo e outras grandes cidades, as mudanças vieram por conta dos blocos de rua e em Belo Horizonte o fenômeno se repetiu. Afinal, tratava-se de divertimento mais acessivo, mais popular e assim divertido, inclusivo exatamente como as comemorações sugerem.

E sucesso que se completou porque autoridades municipais e estaduais foram sensíveis às mudanças e desde logo perceberam seu potencial, assim cuidando de dar à movimentação dos blocos devido suporte, num movimento que curiosamente teria ajudado a esvaziar o Carnaval em cidades do interior. Eis que para a temporada que a partir deste sábado chega ao seu clímax e as expectativas – talvez um pouco exageradas – são de que pelo menos 6 milhões de foliões percorrerão ruas e avenidas da cidade nesses dias, movimento que há bem pouco tempo pareceria de todo impossível. Tudo isso significa a perspectiva de que sejam injetados na economia municipal entre 1 e 1,2 bilhão de reais, beneficiando hotéis, restaurantes, bares, setor de transportes e comércio. A ocupação dos hotéis deverá alcançar a média dos 85% e 11 mil ambulantes devidamente credenciados deverão faturar R$ 7,5 mil per capita.

E tudo com a perspectiva também de que os quatro ou cinco dias de folia, ou mais uma vez que o calendário carnavalesco tem se mostrado um tanto elástico, transcorram em perfeita calma e com níveis de segurança que superam outras capitais e representam mais um relevante atrativo. Assim, para quem trabalha e fatura, para quem está voltado exclusivamente para os folguedos, este parece ser mesmo o melhor dos mundos. Mas cabe também registrar, como foi feito anteriormente neste mesmo espaço, que os acertos da parte dos responsáveis pelo Carnaval belo-horizontino, não bastam para encobrir erros.

Trata-se muito especialmente de registrar absoluta desconsideração com relação à parcela de moradores da cidade que não se interessa pelo Carnaval, muito menos por seus inconvenientes, das limitações na mobilidade ao barulho excessivo e mais toda sorte de inconvenientes. Não há como perder de vista que vê os espaços em torno de sua moradia transformados em barulhenta pista de dança não podem ser invadidos, direitos não podem ser agredidos como acontece em escala um tanto impertinente. Algo que precisa ser considerado e resolvido para os próximos anos para que não se apague o brilho tão festejado.

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