Contas que não fecham

Governo segue tentando reduzir os impactos do aumento de preços dos derivados de petróleo com os conflitos no Oriente Médio
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Contas que não fecham
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Ainda por caminhos tortos e sem qualquer explicação que de fato faça sentido, o governo brasileiro continua tentando reduzir, para os consumidores internos, os impactos do aumento de preços dos derivados de petróleo desencadeado por conta do acirramento de conflitos no Oriente Médio. Agora, e conforme já amplamente noticiado, foi ampliado o subsídio à gasolina com desoneração dos encargos federais incidentes sobre o combustível. Tudo isso ao custo estimado de R$ 5,2 bilhões/mês e por tempo indeterminado.

Poderia ser diferente, melhor para os consumidores internos, menos custoso para o Tesouro Nacional. Vamos aos fatos: a Petrobras acaba de informar que a produção brasileira de óleo cru atingiu a marca de 4,6 milhões de barris/dia no mês de agosto, o equivalente a incremento de 18% na comparação com igual período do ano anterior. A mesma Petrobras informa que o Brasil consome aproximadamente 2,61 milhões de barris de petróleo/dia, aproximadamente o mesmo volume da capacidade de refino. Por outro lado, em setembro passado o País bateu recorde nas exportações de petróleo, com receita de U$ 6,5 bilhões e incremento de 77% sobre os resultados de setembro de 2025.

São números e valores amplamente positivos, principalmente para adequado entendimento da posição relativa do País, do melhor significado da autossuficiência alcançada, além da conclusão de que a crise atual, que elevou o preço médio do barril para além dos U$ 100 tem nos favorecido, benefícios que naturalmente devem chegar à ponta final do consumo nas bombas e no conjunto da economia. Principalmente sabendo-se que cada barril de petróleo extraído nos campos do pré-sal custa à Petrobras menos de U$ 10, conforme revelado recentemente pela presidente Magda Chambriard.

São contas simples, um tanto elementares, e diante das quais a única conclusão possível é de que o Brasil e os brasileiros deveriam estar livres das injunções ditadas pelo mercado internacional do petróleo e que o sonho da autossuficiência, tão acalentado a partir de 1975, foi plenamente alcançado.

Tudo isso para, afinal, deixar sem espaço, sem respostas, sem voz, aqueles que defenderam e defendem que o Brasil pratique preços internos de derivados de petróleo em paridade com as cotações internacionais. Trata-se de anular as consequências práticas da posição que o País alcançou e, pior, exigir malabarismos sem sentido e sem melhores efeitos como os que acabam de ser anunciados.

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