O dever de casa
Se não faltam escrúpulos, não falta também imaginação, mesmo que a ofensiva que neste momento recebe os holofotes da imprensa não chegue a ser exatamente uma novidade. No palco, mais uma vez, os senhores deputados federais para pavor da viúva que adiante será chamada a pagar mais uma conta. Vamos aos fatos: movimentos para a criação de novos municípios prometem agitar o Congresso neste ano com projetos de emancipações, fusões e incorporações que na prática poderão implicar na transformação de 462 distritos em 17 estados em municípios autônomos. Não necessariamente com condições objetivas, principalmente no que toca à arrecadação, que justifiquem a pretensão, como sempre movidas por ambições mal disfarçadas, além de absolutamente alheias à lógica do bem fazer. Se não à elementar obrigação, que deveria ser comum aos agentes públicos, de zelo extremo na gestão de recursos públicos.
Como foi dito acima, a farra que está sendo tramada não incorpora nenhuma novidade que representa muito mais que a mera ambição de conquistar autonomia política. Importante mesmo é que serão abertas vagas para – e se a empreitada for adiante – mais 462 prefeitos, seus vices e toda uma chusma de vereadores e secretários, assessores, etc, etc. Isso tudo na maioria dos casos em lugarejos em que receitas próprias não bastam sequer para custear serviços básicos e que na prática são sustentados pelas dotações constitucionais. Absoluto contrassenso, irresponsabilidade explícita e assumida, tudo combinando ambições e vaidades que guardam muita distância do real interesse público, mas de qualquer forma, ao fim e ao cabo, bancadas com recursos públicos, vale dizer, pelos contribuintes.
Para concluir: nada, salvo possíveis exceções que possam ser encontradas no bolo de propostas de emancipação, que minimamente faça sentido ou responda afirmativamente ao interesse público. E também nada que deveria estar ocupando atenções quando todas as energias deveriam ser mobilizadas para ações que apontam direção contrária. Ou a imperativa necessidade de cortar despesas, de reduzir drasticamente o atual desequilíbrio fiscal. E tudo para que o Estado brasileiro, de certa forma paralisado pelo peso da gordura que foi acumulando reencontre o bom senso e assim o também reequilíbrio das contas públicas.
Estamos falando do elementar aos leitores e a quem mais de direito e lembrando ser este também requisito para que a economia volte a crescer em bases estáveis, contínua e mais forte, sem que o fantasma da inflação nos esteja rondando permanentemente.
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