Editorial

Escolher o Brasil

Com as eleições deste ano, é fundamental preservar a memória e reafirmar o compromisso com a democracia
Escolher o Brasil
Foto: Reprodução Adobe Stock

Manifestar opiniões, debater e fazer escolhas são especialmente no campo da política condições essenciais ao exercício da cidadania. E pressuposto da liberdade que o sistema democrático sustenta e que cabe defender e estimular, porém sempre com o cuidado de evitar desvios, como aqueles resultantes do uso impróprio dos avanços atrelados às novas tecnologias de comunicação. Ao bom cidadão, a quem de fato preze a liberdade, o direito de expressão e escolha, cabe, especialmente quando o debate político é amplificado por força do calendário eleitoral, refletir a respeito. E na esperança de que afinal prevaleça o entendimento de que todos os campos políticos caminham, ou deveriam caminhar, na mesma direção. A construção de um Brasil melhor, sustentado por uma democracia vibrante e por líderes que comunguem o mesmo ideal de construção de uma nação melhor, mais próspera e equilibrada, capaz de fazer melhor uso de suas riquezas e de seu reconhecido potencial de desenvolvimento.

Nesse esforço de construção e de busca do melhor é preciso também ter memória, ter presente o passado recente para lembrar que, objetivamente, ocorreram tentativas de desvios e ruptura que, se consumadas muito provavelmente teriam imposto retrocesso impensável. Não é possível esquecer, nem mesmo relativizar ou apagar os acontecimentos. Foram ações bem concatenadas e com objetivo certeiro que começaram pelas tentativas de desacreditar o sistema eleitoral e o próprio resultado da votação, chegando assim às manifestações de 8 de janeiro de 2023, culminando com invasão das sedes dos poderes federais. Deveria ter sido a senha para distúrbios generalizados e justificativa para a desejada ruptura institucional. Ações explícitas e assumidas ao ponto da exibição de faixas diante de quartéis defendendo um golpe militar.

O fracasso, por conta da falta de apoio justamente no campo militar, não veio acompanhado da necessária penitência e não deve ser objeto de esquecimento. Estamos todos diante de fatos objetivos, conhecidos e confirmados, sem espaços para que tudo se confunda com preferências ou direito de escolha. A ruptura institucional, tal como pretendida e explicitamente defendida, absolutamente não pode ser agora confundida com as escolhas que os eleitores brasileiros farão, no próximo mês de outubro e diante das urnas.

Não se trata simplesmente de apontar preferências, de escolher entre os candidatos que se apresentarão. Trata-se, no plano do ideal, de escolher o Brasil, assim fortalecendo instituições a partir das quais poderá ser pavimentado o caminho para o futuro desejado pela maioria dos brasileiros.

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