Espaços a ocupar
Observadores e estudiosos dão como consumada a ruptura da ordem política e econômica estabelecida em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial. E tudo por conta das políticas ditadas a partir dos Estados Unidos sob administração do presidente Donald Trump e das prováveis consequências do acirramento dos conflitos no Oriente Médio. São incertezas de proporções talvez inéditas, implicando riscos ainda insondáveis, mas igualmente oportunidades, conforme aponta o professor de Estratégia da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente.
Ele está entre os que acreditam que a instabilidade internacional que caminha para a ruptura de valores tidos como consagrados, em meio ao rearmamento e aumento das tensões antecipam a reorganização de alianças políticas e econômicas, muito provavelmente conferindo relevância aos países geograficamente distantes das zonas de conflito. Possibilidades que conferem ao Brasil condições para assumir um novo protagonismo, especialmente no mapa global de investimentos.
Assim, entende o professor, o que mais interessa ao País presentemente é a neutralidade, saber ficar de fora dos conflitos, fugindo de um protagonismo diplomático sem resultados para se apresentar ao mundo como porto seguro num planeta em que hostilidades crescem exponencialmente. Vale para o Brasil, pode valer muito especialmente para Minas Gerais. Mas será preciso saber combinar neutralidade no campo da diplomacia com fortalecimento institucional com efetiva capacidade de atração de capitais, tudo isso para fazer perceber que temos a oferecer ativos que vão muito além, por exemplo, dos minerais estratégicos hoje no centro das atenções. A localização geográfica ganha ainda maior relevância, tanto quanto diferenciais representados pela segurança jurídica.
São, afinal, valores trazidos ao primeiro plano como consequência direta das tensões que tomaram conta das áreas até agora apontadas como eixo da política e da economia global. Eis porque recomenda-se que o Brasil tenha em conta a importância de rever sua posição no contexto global para, com autonomia, se apresentar como portador de diferenciais competitivos que ganharam maior relevância, não sendo exagerado afirmar que possam representar condições únicas e singulares no planeta.
Num mundo em que pode não haver mais espaços para a polarização e que pode estar caminhando para a revisão de conceitos que até há pouco eram dados como prevalentes ou até mesmo imutáveis, as mudanças em curso indicam um novo tempo. E, quem sabe, um novo e mais relevante papel para o Brasil.
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