Editorial

O futuro apagado

Aumento desenfreado dos cursos de medicina precisa ser debatido pelas autoridades no Brasil
O futuro apagado
Crédito: Reprodução Adobe Stock

Cursos de medicina estão se multiplicando no País de forma um tanto perigosa, tudo provavelmente numa progressão de consequências que serão necessariamente desastrosas. Uma informação que assusta e, na sequência, uma conclusão devastadora: estudos recentes dão conta de que, mantida a progressão atual, em pouco tempo, pouquíssimo na verdade, existirão no País mais médicos que enfermeiros. Claramente uma equação que não fecha e ajuda a fazer ainda mais tenebrosas as conclusões de recentes testes sobre a qualificação de escolas e de seus alunos, com notas baixas, desclassificatórias, para uns e outros.

Elementarmente diante dos fatos, caberia indagar simplesmente que tipo de prestação e de atendimento se pode esperar diante da leva de profissionais de baixa qualificação que em breve estarão chegando ao mercado. E muitos deles tendo como colegas doutores formados em escolas de medicina estabelecidas em países vizinhos e das quais não se tem informações bastantes sobre suas qualificações. Um cenário de extrema preocupação porque da maneira mais contundente que se possa imaginar, fala de futuro, do que está sendo reservado aos brasileiros que baterem à porta de consultórios ou de hospitais.

Para que, e também perversamente, fiquem de longe igualmente sonhos e aspirações de milhares e milhares de jovens que se deixaram levar por ilusões, acreditando que formação acadêmica e diploma seriam como que passaportes para o reconhecimento, sucesso e para a prosperidade. Muitos provavelmente simplesmente esbarrarão com enfermeiros que receberam melhor formação, assim apagando as ilusões de carreiras de sucesso e ganhos que mesmo a realidade atual já não confirma.

Simplesmente não é possível aceitar que tantas e tamanhas distorções simplesmente caiam na vala comum da indiferença e do esquecimento. Não, certamente não, quando um de nossos queridos caírem nas mãos desses médicos que habilitados a colocar um estetoscópio no pescoço, repetindo a imagem mais associada aos profissionais da área, mas provavelmente não saberão dizer para que exatamente serve o instrumento. Nada de exagero, apenas o reconhecimento de uma realidade que ainda não está sendo levada na devida conta.

Na esperança, talvez excessivamente otimista, de que o assunto chegue aos agentes públicos e aos políticos, além da própria classe médica, ensejando reações que não podem tardar.

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