Palavras de ordem
Apesar do regime de chuvas neste ano estar dentro da normalidade, especialmente no Centro-Oeste onde se concentram as principais usinas hidrelétricas do País, assim como reservatórios que as abastecem, o quadro ainda é preocupante no que toca ao abastecimento de energia elétrica no País. As expectativas no momento são de que até o final do mês de março, com o consequente fim das chuvas, na média geral os reservatórios estarão com 70% de sua capacidade preenchida, podendo assim atender à demanda durante a seca que vai até setembro/outubro. Não será, no entanto, um nível de tranquilidade, de pleno conforto, segundo avaliações de especialistas, que lembram ser ainda grande a dependência do País com relação à eletricidade gerada a partir de turbinas hidráulicas.
A questão na realidade recomenda abordagem mais ampla. O que está sendo percebido, e isso precisamente num momento de chuvas satisfatórias, abundantes até em algumas regiões, é a fragilidade do sistema elétrico brasileiro, a rigor congelado desde o final do século passado, precisamente na época em que as primeiras usinas térmicas entraram em operação. E como uma quase gambiarra. De lá para cá e conforme já foi muito bem observado, só não aconteceram dificuldades com o extremo de novos apagões porque a economia passou a crescer com menos velocidade. Se tivesse acontecido o prometido boom de investimentos e expansão na produção industrial teríamos todos esbarrado em grandes problemas.
É preciso, em resumo, enxergar a realidade, perceber a extensão dos riscos a que estamos sujeitos e cuidar, tão rapidamente quanto possível, de traçar as linhas de recuperação do setor elétrico brasileiro. E lembrando que o “milagre econômico” dos anos 70 no século passado só foi possível porque houve, no período, oferta de energia elétrica a preços competitivos. Quem lembra dos melhores momentos da Cemig, posta de pé precisamente como garantia para os investimentos então realizados na economia mineira, sabe do que estamos falando.
É urgente que sejam definidas políticas para o setor elétrico, inclusive com a consciência de que na atualidade o leque de opções nos é mais favorável, com a possibilidade de respostas mais rápidas – e baratas – que podem vir da energia solar e da energia eólica. E sem contar a possibilidade, até aqui desconsideradas, de repotencialização das usinas hidrelétricas, com ganhos estimados em 30% de capacidade atualmente disponível.
Como já não é possível esperar, mãos à obra deveriam ser palavras de ordem para o setor elétrico e quem sabe convite irrecusável para os candidatos que hoje imaginam chegar à Presidência da República nas eleições de outubro.
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