Precário equilíbrio

Cenário externo acende o alerta sobre as reservas de petróleo e os impactos na economia brasileira
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Precário equilíbrio
Foto: Stringer / Reuters

As reservas globais estratégicas de petróleo, estimadas em 10 bilhões de barris quando o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em nova escalada e a principal rota de escoamento – o Estreito de Ormuz – foi bloqueada, está reduzida à metade. As contas são da Aramco, a estatal petrolífera da Arábia Saudita que estima as reservas atuais em pouco menos de 6 bilhões de barris, sendo 10% desse total indisponível por conta, segundo a empresa, de “restrições técnicas”. Até que a situação se altere, o que essencialmente significa que o Estreito de Ormuz volte a operar em condições normais, a pressão sobre a oferta e a demanda prosseguirá, com consequência para o preços e o suprimento. Um precário equilíbrio e incertezas que ajudam a explicar tanto avanços sobre reservas e produção na Venezuela quanto acordos mais recentes entre Estados Unidos e Rússia, diminuindo restrições às vendas de óleo diesel.

Uma conjuntura vista com preocupação também no Brasil, que depende de importações correspondentes a cerca de 30% de seu consumo de óleo diesel. Algo equivalente a cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos por mês, conforme valores do mês passado, em 80% cobertos por importações que têm origem nos Estados Unidos. O país que não faz muito tempo cogitou proibir exportações para assim recompor suas reservas. Uma conjuntura um tanto delicada para o Brasil, principalmente porque a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) afirma que os preços praticados internamente no varejo corresponderiam, hoje, à metade do valor no mercado internacional.

É o fantasma de uma nunca bem explicada “paridade” que por suposto volta a assombrar e é apontada como grave ameaça ao abastecimento caso a situação persista mesmo depois de cumprido o calendário eleitoral e as consequentes pressões políticas. Cabe observar que os que agora reclamam são os mesmos que retiraram a Petrobras do varejo, alegam grandes prejuízos, mas não dão sinais de disposição para largar o mau negócio. Poderiam fazer melhor, com certeza, se abandonassem a ideia da paridade e passassem a defender investimentos maiores e mais ágeis no aumento da capacidade de refino, amplamente garantidos pelos excedentes de óleo cru extraídos internamente.

Um esforço até aqui retardado, ou obstruído, por interesses contrariados e que, na prática, depois que a Petrobras foi atacada por todos os lados, impediram que a sonhada autossuficiência alcançada e largamente superada produzisse, de fato, as melhores consequências para o País. É nesse sentido, nessa direção, que as avaliações da Aramco precisam e devem, da nossa parte, ser tomadas mais a sério.

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