O prumo e o rumo
Há quem diga que possamos estar diante do maior escândalo de todos os tempos no sistema financeiro brasileiro, um rombo inicialmente estimado em algo como R$ 6 bilhões, valor imediatamente corrigido para R$ 14 bilhões e que conforme avaliações mais recentes pode ter chegado aos R$ 40 bilhões. Tem gente ainda tentando entender como e porque desvios dessa monta aconteceram à luz do dia e sob a vigilância do Banco Central ou mais amplamente do próprio sistema. Como não enxergar que promessas que jamais poderiam ser cumpridas, como remuneração que beirava à insanidade, estavam sendo feitas, mas ninguém se deu ao trabalho de verificar o que estaria acontecendo?
Afinal o castelo erguido pelo Banco Master desmoronou, trazendo à luz personagens que até então eram, para a grande maioria, absolutamente desconhecidas. Pior, deixando rastros de cumplicidade diante dos quais chegou a ser dito que se as investigações fossem, de fato, levadas às últimas consequências a República não teria como parar de pé. E coisas muito estranhas começaram a acontecer, não faltando sequer o aparecimento de um “sicário”, dito responsável pelas tarefas mais sujas, que teria chegado à proeza de pôr fim à própria vida mesmo custodiado pela Polícia Federal.
Mas o interesse real em colocar tudo em pratos limpos parece continuar sendo, pelo menos para os que estão no centro dos acontecimentos, algo um tanto relativo. Muito mais importante parece ser determinar se as aventuras do banqueiro hoje preso em Brasília tiveram patrocínio da direita ou da esquerda, se foram afinal favorecidas por bolsonaristas ou por lulistas. Pode ser também simplesmente uma forma muitíssimo bem acabada de apenas dar voltas para não chegar a lugar nenhum. E de quebra desacreditando o Judiciário, muito em especial o Supremo Tribunal Federal (STF) e aqueles ministros que estão no centro dos acontecimentos.
Sem lugar para qualquer espécie de dúvidas é preciso, tanto quanto urgente, retomar o rumo e o prumo. Para apurar tudo o que aconteceu, apontar os responsáveis e reservar-lhes punição à altura dos crimes cometidos. Sem viés, sem preferências. Tudo isso sem que seja desmontada também a suposta teia de cumplicidade que facilitou e abriu espaço para o rombo consumado. Tudo em linha reta, sem desvios ou procrastinação, sem que se repitam mais uma vez os expedientes do esquecimento e da impunidade tão claramente percebidos agora como se tudo não passasse de um show capaz de atrair grande público. E sobretudo render simpatias ou antipatias diante das urnas no próximo mês de outubro.
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