Questão de saúde

Apostas eletrônicas deixaram de ser apenas questão econômica para se tornar grave problema social e de saúde pública
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Questão de saúde
Foto: Reprodução Adobe Stock

Em artigo publicado recentemente neste jornal o consultor em gestão e empreendedorismo Tony Diniz lembrou que a Confederação Nacional do Comércio estima que R$ 117 bilhões deixaram de circular no varejo em um ano, substituídos por apostas, com efeito maior sobre famílias de renda mais baixa. Existem dados seguros dando conta que padrões de consumo – e considerados itens essenciais – foram alterados para pior, enquanto os dados relativos à inadimplência, que se encontram nos piores níveis históricos, também guardam relação com a jogatina. Resumindo, e ainda segundo o articulista, as apostas em pouco tempo se transformaram num dos fatores de maior impacto no orçamento das famílias brasileiras.

Tudo isso em nível que, sem exagero, mereceria ser definido como situação de verdadeira calamidade. Com efeito, estudiosos chegam a sustentar que o comportamento da economia nos últimos anos implicou, comprovadamente, em elevação da renda individual, mas os efeitos desse crescimento não foram plenamente percebidos na ponta do consumo. Precisamente por conta da jogatina que, já alertou o Ministério da Saúde, tornou-se também grave problema de saúde pública, em que aumento das ocorrências de suicídios é um de seus aspectos mais sensíveis.

Quando, em passado ainda recente, o governo federal decidiu liberar as apostas eletrônicas – que têm aspectos nocivos até nos esportes, especialmente o futebol, de grande apelo popular – os burocratas de Brasília estavam de olho na perspectiva simplista e cômoda de aumento da receita. São os mesmos que hoje em dia fecham os olhos diante da perspectiva de restrições ou até mesmo de um veto absoluto. Gente que não sabe, ou não quer, perceber que nem mesmo a suposta relação custo-benefício faz qualquer sentido.

Eis os fatos e, diante deles, a notícia de que o presidente da República anunciou “novas medidas de proteção às famílias e à economia popular”, mais especificamente coibindo a presença de empresas de apostas on line no País. Ou, pura e simplesmente, vetando todos os tipos de apostas desse tipo no País, enterrando de vez o tristemente famoso Tigrinho, patrono reconhecido de tantas desgraças no País. Chegou tarde para muitas pessoas, aquelas que se pudessem estariam lamentando que não tenham sido ouvidos a tempo e a hora aqueles que chamavam atenção para os riscos da liberação.

Trata-se de medida sanitária que já deveria ter sido adotada faz muito tempo e, consumada, se efetivamente neutralizados os interesses que estão sendo contrariados, algo a ser comemorado. Tanto melhor se neutralizada também a jogatina operada a partir do exterior.

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