Riscos para o agronegócio
Conforme informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fertilizantes importados cobrem, na atualidade, 85% da demanda do país, que somou 45,5 milhões de toneladas no ano passado. Do total, e ainda segundo informações da Conab, 17,6 milhões correspondem a nitrogênio, 5,7 milhões de fósforo e 13,9 milhões de potássio, numa conta que não inclui produtos formulados e micronutrientes. A maior parte da demanda é atendida pela Rússia, China e Canadá, cabendo notar que a parte mais relevante das importações passa pelo Estreito de Ormuz, onde as tensões internacionais chegam ao ponto da ebulição. Mais de 40% da ureia, lembra a Conab, depende dessa rota, enquanto presentemente as entregas de fosfatados, que vêm da China, e de nitrogenados, da Rússia, estão suspensas.
São riscos que poderiam e deveriam ser eliminados ou reduzidos, sendo oportuno lembrar que em um passado não muito distante, o país chegou a contar com produção própria mais relevante, principalmente por conta de empresa subsidiária da então Companhia Vale do Rio Doce, com operações concentradas no Triângulo Mineiro, além da própria Petrobras.
Por extrema ironia no mesmo momento em que a produção agrícola brasileira foi palco de grandes avanços e a ponto de fazer do país um dos maiores produtores globais de alimentos, cresceu a dependência e, portanto, a vulnerabilidade por conta precisamente dessa situação. E nada que possa ser bem explicado à luz da razão, menos ainda na perspectiva dos interesses nacionais. Para além das questões estratégicas que a realidade atual explicita, crescem os custos de produção, com danos para a competitividade e também para os preços internos, cabendo adiantar que culturas como milho, algodão e café estão entre as mais afetadas.
Poderia ser diferente. E, para isso, parece suficiente lembrar que um certo Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, previa reduzir a dependência externa dos atuais 85% para 45%, patamar que deveria ter sido alcançado no ano passado. Entre os planos que não saíram do papel, estava a retomada pela Petrobras da produção de nitrogenados. Em marcha lenta, se não parados, os planos, virtualmente, não saíram do papel, levando técnica da Embrapa a lembrar o elementar. Se a agricultura é tão importante no Brasil, é questão de soberania nacional ter indústrias de fertilizantes capazes de suprir as necessidades internas e contornar a fragilidade agora evidenciada.
Hoje, o agronegócio brasileiro não tem garantias sequer de que encomendas confirmadas serão entregues e, para futuro próximo, com a demanda pressionada pelo plantio da safra de verão, permanece diante da incógnitas para as quais simplesmente não existem respostas.
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