Surpresa nas urnas

Guinada conservadora foi o grande destaque do pleito de domingo (4)
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Surpresa nas urnas
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A primeira etapa da eleição foi cumprida no domingo (4) conforme estabelecido, em perfeita ordem, sem atropelos de qualquer natureza e com a integridade do processo de coleta e contagem de votos. De pronto, algo a ser comemorado, além de bem guardado na memória coletiva para sepultar de vez comentários impertinentes, dentro e fora do País. Também no que toca à escolha de candidatos, sobretudo a cargos majoritários, tudo, ou quase, correu dentro das expectativas sugeridas pelas pesquisas de opinião, mas com destaque evidente para a virada do candidato Flávio Bolsonaro, que chegou ao final da apuração com 47% dos votos, contra os 45% destinados a Lula. Também no plano estadual, com a folgada vitória do candidato Cleitinho, não restou espaços para surpresas.

Na votação de domingo, conforme já apontam as primeiras análises mais profundas, o fato a destacar foi a guinada conservadora, bem representada pela nova composição do Congresso Nacional, onde o grupo à direita passa a contar com folgada maioria. Tudo em proporções que não chegaram a ser previstas. O tempo, juntamente com estudos objetivos e independentes, exibirá a exata causa dessa verdadeira virada de mesa, que provavelmente guarda relação com os avanços da direita no planeta, além de fazer lembrar que assumidamente o próprio presidente Trump não ficou indiferente ao processo.

A consolidação do bloco implica também em enorme responsabilidade para seus integrantes, que passam a contar com meios e condições para bem encaminhar as grandes questões nacionais, a começar pela redução das “gastanças” tantas vezes denunciada e a retomada do equilíbrio fiscal, o que também implica na revisão de alguns conceitos e práticas que nos últimos anos ajudaram a afundar a credibilidade do Legislativo. Recolocar a casa em ordem, dar fim à corrupção e devolver à esfera pública padrões de gestão e de eficiência que se perderam, é tarefa que agora, por suposto, poderá ser cumprida livre de obstáculos ou interferências impertinentes.

Cabe esperar também, e para isso não sem uma boa dose de otimismo, que a nova correlação de forças paute também os debates entre os dois candidatos que disputarão a Presidência da República no segundo turno. Para que a troca de desaforos seja substituída pela apresentação de propostas que nos permitam afinal enxergar o futuro do Brasil. E assim fazer a escolha decisiva com adequado suporte.

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