Um tiro no alvo?
Numa espécie de trégua ao bang bang em que a sucessão de escândalos envolvendo o Banco Master se transformou, como numa novela em que fica bastante difícil antecipar o enredo para os próximos capítulos e menos ainda apartar mocinhos e bandidos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, está propondo uma espécie de trégua. Estamos falando de sua promessa de colocar em debate, na presunção de próxima votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública. Prioridades que, conforme acertado em reunião de líderes, que serão postas em marcha já na semana que está começando. Incluindo também o programa Gás do Povo, de aparência e sabor um tanto eleitoral.
Se tudo sair conforme o acertado, o que sempre poderá não acontecer, considera-se possível que a PEC da Segurança Pública, que neste formato vem sendo cozida em fogo lento desde o ano passado, poderia ser levada à votação logo depois do Carnaval. É de todo desnecessário lembrar a importância do tema e da mesma forma a urgência de decisões que vem sendo proteladas porque contaminadas por interesses menores – ou nem tanto – e questiúnculas políticas.
Por elementar, caberia, e em primeiríssimo lugar, o entendimento de que o País está numa situação de guerra não declarada em que batalhas importantes vão sendo perdidas enquanto o inimigo consolida posições. Desse primeiro entendimento decorreria forçosamente e em condições normais a conclusão de que o combate não pode prosseguir de forma fragmentada e sem fina coordenação. Removidos vieses políticos sabidamente inconvenientes restaria a conclusão um tanto óbvia de que é papel da União assumir protagonismo na arregimentação de forças, estratégia e condução na linha de frente.
Não dá para imaginar que possa ser diferente, que faça qualquer sentido forças dispersas e sem mínima articulação prossigam atirando para todos os lados, sem acertar o alvo e tragicamente produzindo, de regra, apenas balas perdidas. E é disso precisamente que trata a Proposta de Emenda à Constituição que o deputado Hugo Motta promete, mesmo que com atraso, encaminhar nos próximos dias. Para que venham, devemos esperar e pressionar nesta direção, decisões técnicas e assim objetivas, livres de qualquer espécie de oportunismo político. E tudo para que o Estado possa finalmente responder ao desafio sabidamente de grandes proporções, reconhecido pelo conjunto da população brasileira como fonte de uma de suas maiores preocupações na atualidade.
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