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Estado mobiliza universidades e empresas na agenda climática

Iniciativa visa financiar projetos de pesquisa e inovação para enfrentar desafios climáticos em Minas Gerais, com foco em soluções globais
Estado mobiliza universidades e empresas na agenda climática
Serão disponibilizados R$ 50 milhões para projetos de pesquisa e inovação no edital da Fapemig | Foto: Reprodução Adobe Stock

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) lançou, na sexta-feira (27), a Chamada 05/2026 com o edital “Minas pelo Clima: Ciência e Inovação em Apoio ao Plano Estadual de Ação Climática”. Realizado em parceria com as secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e de Meio Ambiente (Semad), disponibiliza recursos de R$ 50 milhões para projetos de pesquisa e inovação que contribuam para o enfrentamento dos desafios relacionados às mudanças climáticas no Estado.

Podem submeter propostas pesquisadores vinculados a Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), empresas e cooperativas sediadas em Minas Gerais. A submissão deve ser feita até o dia 11 de maio de 2026, por meio do Sistema Everest, da Fapemig. O resultado está previsto para o dia 21 de julho.

De acordo com o presidente da Fapemig, Carlos Arruda, o edital aborda a questão climática em suas diferentes vertentes, diversidade de temas e possibilidades de projetos em diferentes fases de desenvolvimento.

Carlos Arruda
Claro que quem não foi aprovado não fica feliz, mas todos recebem um retorno da Fundação, feito por especialista, explicando em quais pontos a proposta pode melhorar, afirma Arruda | Foto: Divulgação FDC

Os projetos deverão apresentar pesquisas, tecnologias ou soluções inovadoras nos seguintes setores estratégicos:

  • Agropecuária;
  • Biodiversidade;
  • Ecossistemas;
  • Desenvolvimento sustentável;
  • Ação climática;
  • Gestão de risco;
  • Vulnerabilidade climática;
  • Indústria;
  • Povos e população vulnerável;
  • Resíduos e segurança hídrica.

As propostas devem gerar resultados concretos e soluções aplicáveis, considerando benefícios técnicos, econômicos, sociais e ambientais. Cada proposta pode receber financiamento de até R$ 3 milhões, de acordo com o perfil do projeto e o potencial de impacto dos resultados.

“Esse é um edital interessante porque chega com muitos temas possíveis de serem abordados e uma diversidade de interesses que eu acho que vão chamar a atenção. Trabalhamos para dar uma diversidade também de recursos. Então, vai desde a linha para pesquisa, para o diagnóstico, numa fase ainda de computador, até a linha D, quando já são projetos estratégicos de implementação muito mais estruturantes. Então, o edital traz também essa possibilidade de alcances diferentes, desde um estudo usando uma base de dados públicos até a implementação de uma tecnologia já desenvolvida”, explica Arruda.

Além da aprovação e acesso aos recursos, o professor chama a atenção para outras vantagens de participar do processo, mesmo para os que não forem aprovados.

“Claro que quem não foi aprovado não fica feliz, mas todos recebem um retorno da Fundação, feito por especialista, explicando em quais pontos a proposta pode melhorar. Isso é muito valioso. Indico também que todos os proponentes busquem se conectar com quem foi aprovado para entender no que podem melhorar. E, desses contatos, ainda podem surgir novas ideias e parcerias”, aponta.

O edital incentiva fortemente a cooperação, permitindo que pesquisadores apresentem propostas em conjunto com empresas, sindicatos, cooperativas e outras instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs), visando à formação de uma rede institucional que some para Minas Gerais.

Estima-se que mais de 90 mil pesquisadores em Minas Gerais estejam aptos a desenvolver projetos passíveis de serem avaliados pela Fapemig em seus diferentes editais ao longo do ano. Uma chamada que seja respondida por cerca de 3 mil propostas é considerada de enorme sucesso.

“A competição pelos recursos ocorre dentro de cada linha de financiamento específica, de modo que projetos de diagnóstico concorrem apenas com outros projetos de diagnóstico. A lógica da Fapemig é que um número maior de projetos submetidos gera uma curva normal mais ampla, aumentando a probabilidade de selecionar projetos de maior qualidade, que são então qualificados com as melhores notas e recebem mais recursos”, destaca.

Considerado um dos estados mais biodiversos do Brasil, com três biomas, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, e com uma complexa história de ocupação, Minas Gerais apresenta desafios únicos e globais. Ao mesmo tempo, a estrutura de ciência e inovação do Estado conta com a presença de 11 universidades federais, 14 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e dois centros de competência da Embrapii, sendo o segundo estado do Brasil com maior número de unidades Embrapii. Além das duas universidades estaduais, Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) e Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), e demais instituições de pesquisa privadas.

A perspectiva é que as soluções propostas sejam capazes de ser adaptadas e utilizadas em diferentes partes do planeta.

“A única chance de sobrevivência que nós temos enquanto espécie é a inteligência, então a Fapemig tem valorizado o esforço continuado e de longo prazo no apoio aos projetos, incentivando o pesquisador a retornar e apresentar os estágios subsequentes até que o projeto impacte a sociedade econômica e socialmente. Embora o edital se chame ‘Minas pelo Clima’ e foque nos problemas locais, as soluções têm potencial para se tornarem globais. Há alguns anos, decidimos abrir mão de todos os direitos autorais sobre os projetos que fomentamos, concedendo-os integralmente ao autor e à instituição. Esta decisão foi tomada para incentivar a criação de soluções que se tornem globais, fornecendo segurança jurídica aos participantes e focando no nosso papel de apoiar e alavancar a inovação, e não em arrecadar receita. Os recursos virão do desenvolvimento econômico do Estado, que vai arrecadar mais e, assim, fazer crescer o nosso orçamento”, avalia o presidente da Fapemig.

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