Carlos Viana defende o rito das MPs no Congresso previsto pela Constituição

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), tenta mudar a forma como as medidas provisórias tramitam
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Carlos Viana defende o rito das MPs no Congresso previsto pela Constituição
Viana foi um dos principais interlocutores da privatização da BR-381 com o governo anterior e segue atento aos trâmites | Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador mineiro Carlos Viana (Podemos) concorda com o também mineiro e presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que o rito das Medidas Provisórias (MP) no Congresso Nacional deve voltar ao modelo previsto pela Constituição. Para ele, é preciso prosseguir com o diálogo e encontrar um entendimento que interesse ao País, sob a pena de os projetos não serem apreciados pela Casa Alta e perderem a validade.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, Viana ressaltou que o modelo do parlamento brasileiro prevê a chamada bicameralidade e que a Câmara dos Deputados precisa aceitar que o Senado também pode alterar projetos.

“Não existe nenhuma obviedade ou lógica de que uma medida provisória comece a tramitar pela Câmara – como prevê a Constituição – e fique lá por 90 dias, chegando ao Senado faltando dois ou três dias para vencer. Isso é uma questão de boa relação”, disse.

Desde o início da atual legislatura, há um impasse entre os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e do Senado, sobre a tramitação das MPs. A Constituição determina que toda medida provisória seja examinada por uma comissão mista composta por senadores e deputados, antes de seguir para os plenários da Câmara e do Senado. Essas comissões são compostas por 12 deputados e 12 senadores. O modelo também prevê o revezamento da relatoria das MPs entre as duas Casas.

Acontece que, com a pandemia de Covid-19, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o Congresso a pular a etapa das comissões mistas na análise de MPs enquanto durasse a emergência sanitária. No início deste ano, Pacheco determinou o retorno do modelo original das tramitações.

Agora, Lira propõe que a composição das comissões siga o princípio de proporcionalidade, de três deputados para cada senador. Os líderes das Casas também discutem o estabelecimento de um prazo para a análise de MPs pelas comissões mistas.

Para Viana, a Câmara continua entendendo, por meio de seu presidente, que a Casa tem a destinação dos projetos, uma vez que a Constituição diz que a tramitação começa pela Casa Baixa. E para mudar isso, seria necessário chamar uma nova constituinte. “Uma coisa é o que a gente quer, outra é a realidade. E a realidade do Brasil é que o Senado também é uma Casa que pode mudar projetos e a Câmara tem que aceitar isso”, reforçou.

Em relação ao diálogo entre Lira e Pacheco, o senador mineiro avaliou que o presidente do Senado é muito preparado e tem uma característica política muito forte para o diálogo. E que o presidente da Câmara possui uma posição política enérgica, de imposição, mas que é preciso sentar à mesa e buscar um meio termo.

BR-381

Outro assunto que tem sido acompanhado de perto pelo parlamentar é a concessão da BR-381. Viana foi um dos principais interlocutores da pauta com o governo anterior e segue atento aos trâmites para tirar o projeto – que se arrasta por décadas – do papel.

O projeto da concessão do trecho que liga Belo Horizonte a Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, segue em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU) desde setembro do ano passado. O Tribunal disse que não há previsão de data para julgamento da peça em Plenário. Mas, o senador disse à reportagem que espera que o parecer do ex-colega de bancada no Congresso e agora ministro e relator do projeto, Antonio Anastasia, seja pela aprovação do edital. Restando, então, apenas a formalização por parte da Corte.

“Agora é só o novo governo ir ao mercado buscar os interessados na rodovia e vamos ter condições de uma estrada melhor e, inclusive, com prazos de duplicação. Se eles repetirem o que fizeram com a privatização do metrô de Belo Horizonte e derem sequência ao que já está proposto, acredito que vá avançar e vamos ver acontecer”, sinalizou.

Há duas semanas, a deputada federal Rosângela Reis (PL) postou um vídeo em suas redes sociais ao lado do Ministro dos Transportes, Renan Filho, falando sobre a duplicação da chamada “Rodovia da Morte”. No vídeo, Renan Filho afirmou que o edital será lançado ainda no primeiro semestre de 2023 e que o assunto tem sido cobrado diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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