Empresariado de MG entrega propostas a Bolsonaro

Presidente se reuniu com líderes da Fiemg
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Empresariado de MG entrega propostas a Bolsonaro
Objetivo do evento era a entrega de propostas do setor produtivo ao candidato e atual presidente para execução caso seja reeleito | Crédito: Mara Bianchetti

Líderes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) se reuniram ontem com o presidente Jair Bolsonaro (PL) para a entrega de propostas do setor produtivo em caso de reeleição do atual chefe do Executivo federal. Segundo maior colégio eleitoral do País e retrato das eleições nacionais, o Estado está no foco de Bolsonaro e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste segundo turno.

Embora a solenidade tenha sido agendada para a entrega das propostas, pouco se falou sobre a indústria e o pleito do setor no evento. O momento foi marcado por fortes falas em favor do candidato no pleito de 30 de outubro.

O presidente da entidade, Flávio Roscoe, foi o primeiro a discursar a centenas de empresários. Fez um breve retrospecto do desempenho da indústria mineira nos últimos anos, crescendo acima da média nacional. Ele atribuiu os números a ações tanto do presidente (e presidenciável) como do governador reeleito. “Um trabalho em busca de facilitar o ambiente produtivo e que gera emprego e renda. E que gera resultado”, ressaltou.

O dirigente industrial também disse que foi preparado um amplo documento com iniciativas que podem melhorar ainda mais esse cenário. E agradeceu a todos que acreditam no empreendedorismo como fator de transformação social.

Propostas e recomendações políticas

O DIÁRIO DO COMÉRCIO teve acesso ao documento, que possui quase 100 páginas e traz propostas, sugestões e recomendações políticas de melhoria do desenvolvimento socioeconômico do País, incluindo todos os setores da indústria.

No documento, a Fiemg destaca que desenvolvimento e industrialização estão interligados. E que, nesse contexto, a indústria está em posição ímpar, devido à sua capacidade de contribuir para o aumento da qualidade de vida e para a inovação.

“É preciso discutir e planejar as prioridades que orientarão o próximo governo. Dentre elas, a premente necessidade de assegurar o crescimento econômico e fomentar a indústria nacional”, diz o documento.

O tema trabalhista abre o arcabouço e elenca 17 propostas, entre as quais a flexibilidade produtiva, considerando a indústria atividade essencial; modernização da Classificação Brasileira De Ocupações (CBO); definição objetiva da responsabilidade do empregador para pagamento do salário; simplificação do cálculo da hora noturna; aperfeiçoamento da legislação trabalhista com a regulamentação do regime híbrido e definição de novas regras para o teletrabalho; modernização do trabalho em minas de subsolo em face do uso da tecnologia.

O tributário traz, por exemplo, sugestão de uma reforma tributária; desoneração da folha de salário como incentivo a novas contratações; alteração dos limites anuais da receita bruta para enquadramento no Simples Nacional e no MEI; revisão dos critérios para emissão de Certidão Negativa de Débitos Tributários; criação de regime especial de tributação para atividade de loteamento de terreno; vedação ao aumento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem); entre outras.

O tema economia é aberto com a proposta de redução do tamanho e aumento da eficiência do Estado brasileiro. Trata também do aumento de investimentos em infraestrutura para elevação da competitividade da indústria. Há ainda sugestão de privatizações e modernização do setor elétrico.

O grupo energia sugere um projeto de lei para reduzir os encargos setoriais sobre a conta de energia e transferir progressivamente os subsídios para o Tesouro Nacional. E pede o fortalecimento da política nacional de biocombustíveis visando à descarbonização do setor de combustíveis, entre outros pontos.

Para o meio ambiente, há o pleito para apoio à aprovação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, para a revisão de algumas restrições em áreas mineiras como Mata Atlântica, Lagoa Santa (RMBH), etc. Ao todo, são 18 propostas para o meio ambiente.

Na segurança, pede-se a garantia da legalidade na extração do ouro.

No item negócios internacionais, há o pedido para acordos comerciais com outros países e a implementação de medidas de facilitação de comércio exterior, desburocratização e combate ao comércio injusto e o restabelecimento do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que inclusive já foi prometido por Bolsonaro.

Para o transporte, pede-se maior segurança jurídica, com realização de atos anteriores ao tabelamento de frete.

Também há propostas para educação e tecnologia e inovação.

Crédito: Mara Bianchetti

Braga Netto pede a eleitores para “furarem a bolha”

A solenidade foi marcada por muitos discursos a favor da reeleição de Bolsonaro. Seu candidato a vice-presidente, Walter Braga Netto (PL), por exemplo, pediu para os eleitores “furarem a bolha” para que ele seja reeleito.

Mineiro de Belo Horizonte, Braga Netto também repetiu temas de discursos de Bolsonaro, como a crise econômica da Argentina e a pauta de costumes.

O governador Romeu Zema (Novo), Cláudio Castro (PL), Antonio Denarium (PP) e Ibaneis Rocha (MDB), líderes dos executivos estaduais de Roraima e Distrito Federal também marcaram presença, além de outras autoridades.

Zema elevou o tom contra o PT e citou que o projeto de expansão do metrô de Belo Horizonte sairá do papel com o atual presidente. Ele também disse que os mineiros têm obrigação de saber “as tragédias, o caos, o sofrimento que um governo do PT causa”.

“Eu não preciso relembrar aqui o que aconteceu em Minas, em 2015, 2016, 2017 e 2018. Os prefeitos sabem melhor do que eu, inclusive, porque nesta época eu não estava ainda no setor público. (…) Temos muito o que fazer em Minas ainda, e é com o presidente Bolsonaro em Brasília que nós vamos ter condição de continuar a nossa trajetória”, declarou.

Por fim, em seu discurso, o presidente Bolsonaro também fez duras críticas ao PT. E fez uma espécie de balanço de seu governo, passando por tudo o que considera marcos de sua gestão desde 2019.

Afirmou que outros países cobiçam a Amazônia, falou de medidas econômicas, de pandemia, da guerra entre Rússia e Ucrânia, de fertilizantes, preço de combustíveis e inflação.

“Começamos nosso governo em 2019 e adotamos as medidas que chamo de vacina para a economia, com a lei da liberdade econômica e a reforma previdenciária. Infelizmente, tivemos 2020, um ano trágico para o mundo todo, onde muitas mortes se fizeram presentes. E as economias de todo o mundo quase colapsaram. Nós fizemos a nossa parte, criando programas para combater o desemprego e enviando dinheiro para estados e municípios”, recordou.

Sobre 2021, ele citou “a maior crise hidrológica do Brasil”. E em 2022, a guerra na Ucrânia e os esforços do governo junto à Rússia para manter a compra de fertilizantes e o agronegócio.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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