Em tom de despedida, Zema confirma obras do Metrô em dia e faz balanço de gestão
A poucos dias de deixar o cargo, o governador Romeu Zema utilizou o avanço das obras da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte para reforçar o discurso de legado em infraestrutura e mobilidade urbana, áreas que o governo tenta apresentar como marcas da gestão. Em evento no Barreiro, na sexta-feira (13), afirmou que o cronograma da obra segue dentro do prazo e que a conclusão está prevista para 2028.
A agenda, no entanto, extrapolou o caráter técnico. Ao fazer um balanço de quase oito anos de gestão e cobrar maior participação do governo federal no projeto, Zema deu ao anúncio um tom político, em um momento de transição de governo e reposicionamento no cenário nacional.
O encontro foi realizado no Viaduto das Artes, onde o governador apresentou o andamento das intervenções diante de uma pequena plateia de apoiadores. A Linha 2 do metrô vai ligar o bairro Nova Suíça ao Barreiro, corredor urbano que concentra uma das maiores demandas por transporte público da Capital e que, segundo o governo, pode contribuir para melhorar a mobilidade e a atividade econômica da região
Tom de despedida
Com tudo em dia, o evento se tornou uma oportunidade para o governador fazer uma retrospectiva de seus quase oito anos de mandato, já que deixará o cargo em nove dias para, provavelmente, confirmar sua candidatura à Presidência da República.
Além do metrô, Zema anunciou mais intervenções, como a duplicação das estradas BH-Ouro Preto e BH-Brumadinho, além do início breve, segundo o chefe do Executivo, do Rodoanel, que depende apenas da obtenção das licenças ambientais para o início dos trabalhos.
“O cronograma está em dia. Já inauguramos a estação Novo Eldorado. Estou muito feliz que o Barreiro tenha sido contemplado com essa obra. A semente foi plantada em 2018, quando o deputado Marcelo Álvaro Antônio esteve com o então candidato Jair Bolsonaro”, disse o governador, em coletiva.
O governador fez questão de elogiar seus parceiros políticos e criticou o governo federal, que, segundo ele, não se “esforçou” o suficiente para que as obras do metrô em Belo Horizonte fossem realizadas.
Desencontro e “SUS da mobilidade”
Além de Romeu Zema, outras autoridades estiveram no evento no Viaduto das Artes: o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PL), o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), e o prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil).
Damião e Lopes discursaram no palco, mas antes de Zema chegar. O prefeito, alegando outros compromissos, não ficou até o fim.
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Ao Diário do Comércio, Damião disse que tem articulado com os governos estadual e federal um “SUS” do transporte, já que o custo, atualmente, recai apenas sobre o município.
“Entendemos que o SUS da mobilidade é para todo o Brasil. Temos de fazer com que as pessoas possam pagar essa conta. Atualmente, só o município paga. Quando você tem o governo estadual e, principalmente, o federal agindo junto com você, isso minimiza o impacto nas contas”, disse o prefeito.
Linha pronta no meio do ano
O diretor-geral do Metrô BH, Júlio Freitas, destacou que, ainda no meio deste ano, um trecho da Linha 2 estará pronto, com a conclusão total da obra prevista para 2028.
“As estações Nova Suíça e Amazonas já estarão prontas até o meio do ano. As obras estão em dia, com mais de 60 empresas e 1.000 trabalhadores atuando no dia a dia. E, no meio do ano, dentro do nosso cronograma, esperamos inaugurar esse trecho e, até 2028, completar a obra”, disse.
Ao reunir obras de mobilidade, críticas políticas e um balanço de quase oito anos de gestão, o evento no Barreiro acabou funcionando como uma síntese da agenda que Zema tenta consolidar na reta final do mandato. Entre o avanço da Linha 2 do metrô, a promessa de duplicações rodoviárias e o aguardado Rodoanel, o governador apresentou um pacote de intervenções que pretende marcar seu legado em infraestrutura. Parte dessas entregas já saiu do papel. Outras, porém, ainda dependem de licenças, recursos e da continuidade das obras nos próximos anos.
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