Belo Horizonte e Nova Lima integram laboratório nacional contra desastres urbanos
As cidades de Belo Horizonte e Nova Lima foram escolhidas para fazer parte de um grupo de seis municípios brasileiros que vão participar de um laboratório contra desastres urbanos. A metodologia faz parte do projeto de Desenvolvimento Urbano Integrado com enfoque na Redução de Riscos de Desastres Geo-hidrológicos (DUI-RRD Cidades), coordenado pelo Ministério das Cidades em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Nas cidades mineiras, o programa vai substituir infraestrutura cinza por Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Entre as medidas previstas estão a implantação de jardins de chuva, pátios naturalizados e a substituição de contenções tradicionais de encostas por reflorestamento. As propostas buscam ampliar a infiltração da água no solo, reduzir enxurradas e minimizar riscos de deslizamentos.
Além das duas cidades mineiras, foram selecionadas Nova Friburgo, Paraíba do Sul e Petrópolis, no Rio de Janeiro; e Simões Filho, na Bahia. As ações começam em março e, em maio, está prevista uma oficina presencial para ajustar o manual à realidade de cada território.
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Fase de testes práticos
A segunda etapa do DUI-RRD Cidades teve início em maio de 2025, quando 12 municípios foram escolhidos entre 21 candidatos, e seis avançaram para a etapa de laboratórios práticos. Ao longo dos últimos meses, nove propostas foram estruturadas e passam a servir de base para os testes práticos que devem consolidar a versão final do manual metodológico.
Os outros seis municípios que não avançaram para essa fase permanecem como observadores, podendo acompanhar as atividades e replicar o conhecimento produzido.
Para o secretário nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Carlos Tomé, a iniciativa fortalece o planejamento territorial. “É por meio de projetos como esse que conseguimos transformar o planejamento urbano em uma ferramenta concreta e preparar as cidades para os desafios que estão por vir”, diz.
Integração de políticas
O processo de construção da diretriz envolveu oficinas temáticas e a adaptação das propostas à metodologia, que prioriza a redução de riscos por meio da integração de políticas públicas, participação social, preservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.
A estratégia reconhece que planejamento urbano, defesa civil e saúde pública precisam atuar de forma articulada para reduzir os impactos de eventos extremos.
O coordenador do projeto DUI-RRD Cidades e representante da Fiocruz no núcleo gestor, Luis Madeira, ressalta o caráter colaborativo da iniciativa. “Este é um processo dialógico: o município aprimora seu projeto e, em troca, ajuda o Brasil a construir uma política pública de resiliência muito mais assertiva, participativa e humanizada”, afirma.
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