IA lidera prioridades para 2026, mas 77% das empresas ainda investem pouco
A inteligência artificial (IA) está no topo da lista de prioridades para 59,5% das empresas brasileiras para 2026. Apesar disso, 77% delas declararam que destinam menos de 2% ou nenhum recurso para a área no Brasil; e 61% daquelas que aplicaram a tecnologia afirmaram que, até o momento, a IA entregou “pouco ou nenhum resultado relevante aos negócios”.
As conclusões são de uma pesquisa feita com 629 executivos de médias e grandes companhias que empregam, juntas, mais de 592 mil colaboradores no País, em diversos setores. O estudo foi realizado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) em parceria com a Humanizadas, empresa de inteligência de dados para negócios e investimentos sustentáveis.
Relevância da pesquisa
- 629 executivos participaram da pesquisa;
- 60% ocupam cargos de alta liderança;
- 72% representam empresas de médio e grande porte;
- 592 mil colaboradores trabalham nessas empresas.
Setor de atuação dos entrevistados
- 49%: serviços;
- 30%: indústria;
- 12%: tecnologia;
- 5%: agronegócio;
- 4%: varejo.
Limitadores para uso da IA e retornos dos investimentos
De acordo com a pesquisa, como limitadores para o uso de IA nas organizações, 43% dos respondentes disseram que não é a tecnologia que trava a IA, e sim a falta de profissionais qualificados nesse setor. Veja os dados:
- 1º: 43% veem escassez de mão de obra como principal obstáculo;
- 2º: 41% identificam a falta de conexão entre áreas e sistemas como freio ao potencial de uso da IA;
- 3º: 28% indicam que as empresas limitam o uso por preocupações com riscos legais e éticos.
“Conforme podemos ver pela pesquisa, não basta o mercado querer inovar. É preciso que o orçamento acompanhe a estratégia e que haja um plano claro de capacitação para que essas ferramentas não fiquem restritas a experimentos isolados”, afirma o gerente regional da Amcham Minas Gerais, Douglas Arantes.
Investimentos em IA nas empresas pesquisadas
- 3% veem a IA como prioridade estratégica;
- 6% consideram um investimento relevante e crescente;
- 14% possuem um investimento moderado;
- 77% ainda tratam a tecnologia como um experimento inicial ou não investem nada.
Além disso, para as empresas que usaram ou usam IA, 61% dos participantes responderam que, até o momento, a IA entregou “pouco ou nenhum resultado relevante aos negócios”. Confira os resultados:
Impacto do uso da IA nos resultados (% respondentes)
- 3% dizem que IA gerou novas receitas e vantagem competitiva;
- 8% viram inovação em produtos e serviços com impacto visível;
- 28% tiveram ganhos operacionais (eficiência, redução de custo);
- 34% viram resultados pontuais, sem efeito no negócio;
- 27% não tiveram nenhum resultado relevante.
Desenvolvimento de líderes é o segundo foco para o empresariado
Para além do uso da IA, os representantes de empresas também afirmaram que são prioridades para este ano, na seguinte ordem: o desenvolvimento de lideranças; a automatização de processos; a experiência dos clientes; os novos modelos de negócio; os dados na tomada de decisão; a transformação digital; a revisão do plano estratégico; a experiência dos colaboradores; e a governança e compliance.
Com 53,3% das menções, o desenvolvimento de lideranças é entendido pelos respondentes como uma ação capaz de aumentar a maturidade organizacional, desde que o processo forme líderes aptos a “inspirar equipes e tomar decisões baseadas em dados”.
Nesse sentido de desenvolver líderes, 29,5% dos pesquisados afirmaram que priorizam o alinhamento de propósito entre trabalho, bem-estar e qualidade de vida. Na falta desse combo, ainda segundo os respondentes, a liderança pode comprometer “a retenção, o engajamento e a performance no médio prazo”.
Iniciativas relacionadas a saúde e bem-estar
- 29,46%: alinhamento de propósito;
- 18,24%: promoção de saúde e bem-estar;
- 16,23%: equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- 10,42%: ambiente de trabalho flexível.
“Formar líderes que dominam dados é o motor da eficiência, mas é o cuidado com as pessoas que garante o fôlego da operação. O mercado atual não aceita mais o abismo entre o que a empresa diz e o que o talento sente no dia a dia. Priorizar o bem-estar e a diversidade é o que blinda o negócio contra a perda do seu capital mais crítico”, completou Arantes.
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