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Marco para BH: mestre Renoir na Casa Fiat de Cultura

Exposição reúne 11 pinturas e uma escultura do mestre francês
Marco para BH: mestre Renoir na Casa Fiat de Cultura
“Menina com as espigas” (1888) é um dos retratos em exposição na Casa Fiat de Cultura | Foto: Divulgação Isabella Matheus

A Casa Fiat de Cultura, no Circuito Liberdade, traz um presente de encher os olhos para o público belo-horizontino. Figura central do impressionismo francês, Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), segundo os críticos, foi um dos poucos artistas capazes de transformar o cotidiano com tanta sensibilidade. Os retratos pintados por ele e cenas ao ar livre redefiniram a pintura moderna ao substituir a rigidez acadêmica por pinceladas livres e cores luminosas. São estas preciosidades mundiais que estão agora nas galerias bem ali no Circuito Liberdade.

A exposição “Renoir na Casa Fiat de Cultura”, que reúne 11 pinturas e uma escultura do mestre francês, pode ser visitada até o dia 10 de maio e gratuitamente. O conjunto, pertencente ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp), é apresentado pela primeira vez fora de São Paulo e percorre diferentes momentos da trajetória do artista, oferecendo ao público a possibilidade de observar obras originais que atravessaram mais de um século e permanecem centrais na história da arte moderna. E tem mais. A experiência pelas galerias é ampliada por uma sala imersiva, projetada exclusivamente pela Casa Fiat de Cultura, dedicada à pintura Rosa e Azul (1881). A mostra está abrindo as comemorações dos 20 anos da instituição.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, trazer Renoir à capital mineira é um marco. “Celebrar duas décadas de atuação com a obra de um artista dessa dimensão reforça o papel da Casa Fiat de Cultura na circulação de grandes mestres no Brasil. A exposição de Renoir sintetiza esse percurso e consolida nosso compromisso com uma programação gratuita e de alcance internacional”, afirma.

Integrante da primeira geração impressionista ao lado de Claude Monet e Edgar Degas, Renoir participou das exposições independentes que romperam com o sistema oficial dos salões franceses. A produção do artista, entretanto, nunca se limitou à experimentação impressionista: após viagem à Itália, em 1881, o artista aprofundou o estudo da tradição clássica e passou a estruturar suas composições com maior solidez. Essa combinação entre modernidade e diálogo com o passado tornou sua obra singular dentro do movimento.

Na exposição na Casa Fiat de Cultura, o público poderá acompanhar diferentes momentos da carreira do pintor. Obras como A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena (1870) revelam a fase inicial, ainda marcada pelo diálogo com a pintura acadêmica. Já as telas dedicadas às banhistas, Banhista enxugando a perna direita (1910) e Banhista enxugando o braço direito (1912), produzidas nas primeiras décadas do século XX, evidenciam volumes amplos, tonalidades quentes e uma pesquisa intensa sobre a materialidade da pele e a dissolução dos contornos.

Vênus vitoriosa
“Vênus vitoriosa” é a única escultura na exposição Foto Divulgação Raquel Braga

A única escultura em exposição é Vênus vitoriosa (1916), que amplia esse percurso todo, ao demonstrar como Renoir transpôs para o bronze a investigação sobre corpo, movimento e sensualidade.

“As obras de Renoir foram incorporadas ao acervo do Masp durante o período das grandes aquisições, entre o fim dos anos 1940 e início dos 1950, quando o italiano Pietro Maria Bardi estruturou um núcleo fundamental de arte europeia no Brasil. As 12 obras reunidas nesta exposição percorrem praticamente toda a carreira do artista e raramente são apresentadas em conjunto. Anteriormente à mostra acontecer na ocasião da inauguração do novo edifício do museu no ano passado, o conjunto havia sido exibido há 23 anos, no próprio Masp”, explica o curador da mostra e doutor em História da Arte pela USP, Fernando Oliva.

Luz e cor são aspectos marcantes

Um dos aspectos mais marcantes da obra de Renoir é a maneira como ele trabalha a luz e a cor para dar vida às figuras. Em vez de depender de linhas rígidas para definir os contornos, o artista modela o corpo com variações de tonalidade, criando volume por meio da própria cor.

Mesmo enfrentando limitações físicas causadas pela artrite reumatoide, o artista continuou produzindo intensamente. Nesse período, também passou a trabalhar com escultura, ampliando a pesquisa sobre o corpo humano e explorando como traduzir em volume aquilo que antes construía com pinceladas.
O conjunto de obras apresentado na exposição na Casa Fiat de Cultura mostra como Renoir transitou com naturalidade entre retratos, cenas ao ar livre e nus femininos, revelando diferentes momentos de sua trajetória.

Para quem mora em Belo Horizonte ou está de passagem pela cidade, é uma programação imperdível. (Com informações da Casa Fiat de Cultura)

“Exposição Renoir na Casa Fiat de Cultura”

Data: até 10 de maio de 2026
Dias e horários: 3ª a 6ª feira, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Endereço: Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Circuito Liberdade
Entrada gratuita
Mais informações: site / Instagram (@casafiatdecultura)

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