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Projeto de saberes tradicionais do Vale do Jequitinhonha recebe R$ 350 mil

Parceria entre Sudene e IFNMG prevê cursos, exposições culturais e ações de geração de renda na região
Projeto de saberes tradicionais do Vale do Jequitinhonha recebe R$ 350 mil
Foto: Divulgação Sudene

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) formalizou um acordo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), campus Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, para a implementação de um projeto voltado ao fortalecimento de práticas oriundas dos saberes tradicionais da região. Com previsão de início ainda em 2026, a iniciativa receberá um aporte de R$ 350 mil para qualificação profissional, formação cultural, ampliação de oportunidades e geração de renda.

As ações serão desenvolvidas na Casa da Cultura e Memória dos Povos Tradicionais do Vale do Jequitinhonha, em Araçuaí, e incluem cursos de formação inicial e continuada, além de exposições abertas ao público.

Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o projeto integra a estratégia de atuação regional da autarquia. “Trata-se de uma iniciativa que contribui para o desenvolvimento sustentável e reconhece o papel das tradições das comunidades presentes na área de atuação da Sudene”, afirma.

A concepção do projeto ocorreu a partir de uma agenda interministerial em campo, com a participação de áreas ligadas ao planejamento, à cultura, ao meio ambiente e ao desenvolvimento regional. Conforme explica a coordenadora-geral de Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Sudene, Ludmilla Calado, o trabalho conjunto possibilita mapear demandas locais e estruturar uma proposta com efeitos diretos no território. “O investimento articula educação, cultura e desenvolvimento sustentável, a partir das vocações existentes na região”, afirma.

A iniciativa está alinhada aos eixos de educação, desenvolvimento produtivo e inclusão social do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), que orienta as políticas da Sudene voltadas à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento das economias locais. O projeto também incorpora a economia criativa e o turismo cultural como frentes de estímulo ao desenvolvimento, com atividades relacionadas ao artesanato, à música, ao teatro, ao design e à gastronomia regional.

Cursos e exposições

A execução prevê quatro cursos de Formação Inicial e Continuada, com 120 vagas e carga horária total de 160 horas. Os conteúdos abordam:

  • Patrimônio Cultural e Identidades;
  • Povos Tradicionais e Culturas;
  • Educação Étnico-Racial;
  • e Arte, Ofícios e Culturas.

As formações incluem atividades práticas voltadas a tecnologias ancestrais, como oficinas de artesanato, cerâmica, bordado, música, teatro, tambor e práticas medicinais tradicionais. O público contempla agentes culturais, artistas, educadores, gestores públicos, estudantes e integrantes de comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha.

A programação inclui três exposições abertas à visitação:

  • “Sarã, ãbakoháy ~ug hãhãw: Raízes, Memórias e Território”, da artista indígena Uakyrê Pankararu Braz; “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha”, com trabalhos de Aline Gomez Ruas e Lori Figueiró;
  • e uma mostra fotográfica vinculada ao projeto de extensão de mapeamento das comunidades tradicionais do Médio Vale do Jequitinhonha.

Vale do Jequitinhonha

Formado por 53 municípios e com população estimada em cerca de 700 mil habitantes, o Vale do Jequitinhonha integra a área de abrangência da Sudene e reúne diversidade cultural, com presença de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, artesãos e extrativistas.

Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que a região figura entre aquelas com maior concentração de comunidades quilombolas no País, com mais de 30 mil pessoas que se reconhecem como pertencentes a esse grupo social.

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