Setor de vestuário da Grande BH movimenta R$ 10 bilhões e projeta crescimento em 2026
O Arranjo Produtivo Local do Vestuário da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APL Horizonte das Gerais) estima ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e espera superar este cenário em 2026. Contudo, o principal entrave para o crescimento é a falta de mão de obra qualificada na produção e em outros setores do processo.
“O setor de vestuário da região metropolitana tem um potencial enorme, mas tinha muitas sobreposições e a gente está tentando alinhar isso. A gente quer costurar tudo isso”, afirmou o analista de políticas públicas da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Tharcio Elizio.
Um dos pontos positivos para o setor em 2026, comenta o analista, é que com eventos, como a Copa do Mundo de futebol, parte da produção se direciona para itens temáticos, com as cores da bandeira brasileira ou similares aos uniformes usados pelos atletas. Além dos quatro lançamentos tradicionais de coleções por estações do ano. “Esse ano vai chegar a Copa do Mundo daqui a pouco, que é um momento que só começa a produzir camisa do Brasil. A gente sempre acaba se adequando a essas demandas. É uma cadeia produtiva muito sensível às mudanças no país.”
Apesar de ainda não ter os dados consolidados, a estimativa é que a movimentação anual tenha sido superior a R$ 10 bilhões, segundo dados da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG).
Formado por mais de 40 mil empresas, que empregam diretamente 45 mil pessoas, a aglomeração de empresas que buscam crescer de forma colaborativa, vem trabalhando junto a instituições de ensino para estimular a formação de profissionais mais especializados.
“(O setor) tem dificuldade de conseguir mão de obra qualificada. É um problema comum tanto para a indústria, quanto para o comércio, conseguir gente que tenha capacitação, que saiba trabalhar com os produtos, com o design. A gente tem buscado junto a faculdades, cursos técnicos, formações junto ao Sebrae”, diz Elizio.
Apesar de ser mencionado como o principal desafio do setor, outras questões também vem afetando o desenvolvimento das empresas na Grande BH. Questões contratuais com empresas terceirizadas e o enquadramento tributário que o governo de Minas colocou no setor também foi mencionado.
“Estamos querendo trazer uma questão sobre o enquadramento tributário para o setor. O nosso setor compete com outros arranjos e dinâmicas produtivas de outros estados que têm tarifas diferenciadas”, aponta Elizio.
O APL Horizontes das Gerais foi construído de forma coletiva pela CDL/BH, Sebrae Minas, Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest), Associação Comercial do Barro Preto (Ascobap), Associação Mineira de Empresas de Moda (Instituto AMEM), Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Frente da Moda Mineira, além de empresários e profissionais do setor.
Concorrência chinesa
Com relação à concorrência com o vestuário vindo da China, o analista da CDL/BH concorda que não há como concorrer no preço e, portanto, a qualidade é o diferencial. “A gente tem uma concorrência com produtos chineses, mas a gente tem uma vocação na moda mineira e no vestuário de trabalhar com melhor qualidade. Para concorrer com o preço não é possível, então, a gente precisa que o nosso produto seja reconhecido e valorizado pelo comércio local e pela qualidade com que é feito”, pontua.
Em 2024, o governo federal tributou em 20% compras superiores a US$ 50 feitas em sites internacionais, a chamada “taxa das blusinhas”, que foi responsabilizada por aumentar o custo final de alguns produtos. O intuito era que a medida tivesse impacto positivo na geração de empregos, o que não ocorreu, segundo estudos daquele ano.
Importância da gestão de resíduos
Um outro objetivo da APL Horizonte das Gerais é a adoção de tecnologias e medidas que busquem reduzir a quantidade de resíduos decorrentes da produção, como é o caso de recortes de tecidos, que podem ser reaproveitados.
“Produz-se muito, então, acaba-se produzindo muito insumo que pode ser reciclável. A gente tem buscado tecnologias para isso”, afirma Elizio.
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