Faturamento da indústria de Minas cresce 0,2% em agosto, diz Fiemg
A indústria de Minas Gerais teve um “respiro” em agosto e apresentou resultado melhor de faturamento, com alta de 0,2% na comparação com julho, segundo os dados da Pesquisa Indicadores Industriais, elaborada pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
O faturamento real da indústria mineira interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de queda. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento dos pedidos em carteira das empresas da indústria extrativa.
Apesar da recuperação mensal, o faturamento industrial ficou 1,4% abaixo do registrado em agosto de 2025. No acumulado de 2026, o indicador apresenta crescimento de 0,2%. Já na análise dos últimos 12 meses, a alta é de 1,4%.
Para o analista de pesquisas econômicas da Fiemg, Arthur Augusto Dias, o ano da indústria mineira está sendo oscilante, com altos e baixos, e dependendo muito da indústria extrativa para conseguir resultados estáveis ou positivos.
“A indústria mineira começou o ano até bem. Em janeiro, fevereiro, março e até abril, tivemos resultados positivos. Só depois de abril vieram sucessivas quedas, e a indústria praticamente devolveu o avanço que teve no começo do ano. Tanto é que o acumulado do ano está em 0,2%”, comenta Arthur Dias.
“Então, o cenário é muito claro: o que ainda puxa esse leve crescimento no acumulado do ano é a indústria extrativa, que depende menos do ciclo econômico e mais de fatores externos, como a demanda externa. Ela tem um desempenho melhor no acumulado do ano, crescendo 4,3% em faturamento geral. Essa é a leitura”, completa o analista.
Melhora na produção
A utilização da capacidade instalada das indústrias também avançou, passando de 82,7% em julho para 83,2% em agosto. As horas trabalhadas na produção permaneceram estáveis na comparação mensal, indicando manutenção do ritmo de atividade nesse indicador.
Por outro lado, o emprego industrial recuou 0,7% em agosto, influenciado por ajustes no quadro de funcionários das empresas do segmento extrativo. A massa salarial real apresentou queda de 0,2%, reflexo da redução dos pagamentos de horas extras e de participação nos lucros e resultados realizados pelas empresas da indústria de transformação no mês anterior. O rendimento médio real permaneceu estável.
“Esse mês teve uma leve alta, que foi um respiro, interrompendo três quedas consecutivas. O cenário é de crescimento moderado e de ambiente muito desafiador, principalmente para a indústria de transformação, que depende mais do ciclo econômico”, explica Arthur Augusto Dias, analista econômico da Fiemg.
Os resultados mostram uma melhora pontual do faturamento e da utilização da capacidade instalada, acompanhada pela estabilidade das horas trabalhadas. Ao mesmo tempo, a retração do emprego e da massa salarial evidencia as dificuldades para sustentar uma expansão mais disseminada da atividade industrial em Minas Gerais.
Super-trimestre
Um cenário específico de fim de ano, relacionado ao super-trimestre (outubro, novembro e dezembro), pode impulsionar a indústria mineira e oferecer melhores resultados e desempenhos mais robustos para as empresas.
Datas comerciais como Dia das Crianças, Black Friday e festas de fim de ano são motores que podem dar força às empresas do estado, pois pode haver uma demanda maior dos consumidores.
“Essa é a esperança. Agora estamos entrando na fase de pico da indústria, quando a sazonalidade é mais forte, porque a indústria começa a produzir para abastecer a Black Friday e as festas de fim de ano. Então agora vai ser o pico da indústria, em setembro e outubro, e a gente deve esperar variações mensais positivas, comparando com o mês anterior”, explica o analista.
Entretanto, Arthur Dias comenta que as indústrias têm cautela na hora de investir na produção para atender à demanda. É essencial entender se este ano haverá mais procura, evitando excessos e perdas.
“Precisamos analisar bem o acumulado do ano, porque ele é a comparação com o ano anterior. Temos que ver se esse movimento de agora vai ser maior do que o do ano passado. E o ambiente macroeconômico está muito mais desafiador do que no ano passado: os juros estão batendo muito forte e o endividamento das famílias está muito alto também. Essas questões limitam muito a expansão do consumo”, disse o analista.
Novo governo
Com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, outro ponto que deve entrar na agenda da indústria mineira é tentar entender como será a política econômica no próximo ciclo, independentemente do candidato que vencer o pleito.
É possível que, a partir de novembro, haja uma projeção do que será 2027, para que as indústrias se adequem ou tentem se encaixar e desenhem seus planos com o próximo governo.
“A questão eleitoral é a seguinte: se mantiver o atual governo, o planejamento é um; se mudar, o planejamento é outro”, conclui Arthur Dias, da Fiemg.
Contexto complexo
O cenário econômico mineiro e brasileiro analisado pela Fiemg indica que o ambiente interno segue marcado pela desaceleração gradual da economia, pelo elevado endividamento das famílias e por condições financeiras restritivas, que limitam a expansão do consumo e do crédito.
A inflação permanece acima da meta, enquanto as expectativas inflacionárias seguem desancoradas em horizontes mais longos. Esse cenário indica a possibilidade de manutenção da política monetária restritiva por mais tempo. As preocupações com a sustentabilidade das contas públicas e as incertezas relacionadas ao período eleitoral também representam fatores de pressão sobre o ambiente de negócios.
No cenário externo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a política tarifária dos Estados Unidos continuam entre os desafios para a indústria. As tarifas norte-americanas ampliam as barreiras ao acesso de produtos brasileiros naquele mercado e reforçam a necessidade de buscar alternativas comerciais. Diante desse contexto, a Fiemg projeta crescimento moderado da indústria mineira em 2026.
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