Impulsionada pela soja, frota de aviões agrícolas cresce 4% em Minas Gerais em 2025
A busca constante por eficiência e redução de custos tem estimulado a aviação agrícola em Minas Gerais e no Brasil. O uso das aeronaves permite a pulverização de lavouras de médio e grande porte em tempo mais ágil e com grande eficácia. Assim, a tecnologia tem sido cada vez mais aplicada, resultando no aumento da frota. Em 2025, conforme o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a frota aeroagrícola mineira cresceu 4% e somou 109 aeronaves tripuladas. Já no Brasil, a expansão foi de 5,25% com uma frota de 2.866 aviões.
O diretor executivo do Sindag, Gabriel Colle, explica que o crescimento é atribuído à maior competitividade gerada com o uso da aviação agrícola, que se tornou mais barata e acessível devido ao aumento da oferta no mercado.
“Olhando o cenário econômico do agronegócio, a gente enfrentou muitos desafios e tivemos um 2025 complicadíssimo. Mas a aviação agrícola continuou crescendo. No ano passado, o Brasil se destacou como o maior destino de aviões agrícolas fabricados nos Estados Unidos, e a Embraer, fabricante nacional, também retomou a produção para atender à demanda. Esse cenário positivo reflete a busca dos produtores rurais por alternativas para otimizar custos e aumentar a produtividade”.
Ainda segundo Colle, em Minas Gerais, o uso da aviação agrícola aumenta anualmente e ainda tem muito espaço para crescer. Ele explica que o Estado, devido à dimensão e culturas, tem atraído empresas do setor, mostrando o potencial de mercado.
“Minas Gerais tem atraído empresas de aviação agrícola que já atuam em outras regiões e agora estão abrindo filiais no Estado. Culturas como cana, café, soja e milho têm impulsionado o uso da tecnologia de pulverização aérea. A soja, em particular, tem sido um motor de crescimento, com a aviação agrícola acompanhando a expansão das áreas de cultivo”.
Entre os fatores que têm estimulado a adoção da aviação agrícola estão a agilidade e a eficiência econômica. Isso porque a tecnologia permite aplicações rápidas e eficazes, especialmente diante das novas variedades de soja que se diferenciam pela precocidade.
“O produtor rural tem adotado cada vez mais o uso de sementes, principalmente de soja com ciclos mais curtos, o que reduz a janela de tratos culturais. Desta forma, a aviação agrícola entra como uma ferramenta essencial, capaz de pulverizar grandes áreas em um curto espaço de tempo. É uma vantagem muito grande para o produtor, que consegue cuidar das lavouras em tempo hábil e garantir a implantação de uma segunda safra dentro do calendário agrícola”.
Setor tem desafios como pressão de custos e falta de mão de obra
Apesar do cenário de crescimento, o setor enfrenta desafios significativos. Entre os principais está o custo operacional e de manutenção altos, devido à maior parte das peças ser importada e pela concentração de fabricantes. Há ainda uma grande preocupação com a reforma tributária, com a possibilidade de um aumento substancial na carga tributária, o que poderia inviabilizar o negócio com o encarecimento da atividade.
Outro desafio é a qualificação da mão de obra. Há uma demanda por pilotos agrícolas, técnicos e mecânicos especializados. Tentando superar o gargalo, conforme Colle, foi estabelecido um convênio entre o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola e o Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Montes Claros. O acordo de cooperação é voltado para o intercâmbio técnico, científico, cultural e educacional entre as instituições. A parceria tem como foco o aperfeiçoamento do ensino, da pesquisa e da extensão, além do aprimoramento dos recursos humanos de ambas as partes.
“Nós temos um desafio muito grande em atrair pessoas para trabalharem no segmento da aviação agrícola. Estamos promovendo muitas ações, como o convênio com a UFMG em Montes Claros. Hoje, há vagas de trabalho no Brasil inteiro e não temos mão de obra qualificada”, finaliza o diretor.
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