Agronegócio

Piscicultura em Minas cresce acima da média e Brasil alcança mais de 1 milhão de toneladas

Em 2025, a produção mineira somou 77,5 mil toneladas, volume que superou em 6,46% o registrado em 2024. Tilápia é o peixe mais cultivado
Piscicultura em Minas cresce acima da média e Brasil alcança mais de 1 milhão de toneladas
Foto: Divulgação / Peixe BR

A piscicultura de cultivo em Minas Gerais vem ganhando cada vez mais força e, por mais um ano, cresceu acima da média nacional. Conforme os dados da 10ª edição do Anuário da Piscicultura, a produção mineira somou 77,5 mil toneladas ao longo de 2025, volume que superou em 6,46% o registrado em 2024. No Brasil, a produção de peixes de cultivo ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas, representando, portanto, um aumento de 4,4% frente ao ano anterior. Com o resultado, Minas Gerais encerrou o ano como terceiro maior produtor do País, atrás apenas do Paraná e de São Paulo.

Conforme os dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a piscicultura mineira vem ganhando ainda mais força com a entrada de grandes empresas que atuam em outros segmentos de proteína animal. Dentre os peixes cultivados, a tilápia é a principal espécie. O peixe, que representa quase 95% de todo o volume de Minas Gerais, cresceu 6,98% em produção, chegando a 73,5 mil toneladas. Em 2025, a produção de peixes nativos chegou a 2,1 mil toneladas e a de outros – que incluem carpa, truta e panga, principalmente – somou 1,9 mil toneladas.

O desempenho favorável alcançado no Estado, de maneira geral, se deve aos esforços dos produtores que investiram em saúde e sanidade animal, obtendo, assim, resultados interessantes, principalmente em retorno financeiro para poder voltar a destinar recursos à modernização.

“Minas Gerais é o estado que teve o maior crescimento na produção de tilápias nos últimos três anos e isso aconteceu de maneira muito surpreendente. O núcleo de Morada Nova de Minas – que foi fomentado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) – puxa a produção estadual e, agora, está começando um novo núcleo na região do Triângulo Mineiro”, afirma o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.

Dentre os desafios enfrentados em Minas, a Peixe BR destaca como um dos mais importantes o estabelecimento de uma padronização do produto mineiro. Também é necessário atuar em relação às unidades de beneficiamento irregulares para eliminar as fraudes. Em 2025, Morada Nova de Minas seguiu liderando em número de tanques-rede, com 6.518 unidades. Logo em seguida vieram Alfenas (1.612) Felixlândia (1.458), Carmo do Rio Claro (1.551) e Patrocínio, com 1.158 tanques-rede.

Piscicultura de cultivo nacional supera 1 milhão de toneladas

O desempenho favorável da piscicultura de Minas Gerais foi importante para alavancar a produção nacional. Conforme os dados da Peixe BR, a produção brasileira de peixes de cultivo, em 2025, chegou a 1.011.540 toneladas, alta de 4,45%. Medeiros destaca que chegar aos sete dígitos é uma conquista e tanto para a piscicultura brasileira, pois apenas meia dúzia (literalmente) de países havia ultrapassado essa emblemática marca de 1 milhão de toneladas. Em 10 anos, a produção cresceu 58,6%.

“O momento é muito importante para a Peixe BR e para a piscicultura do Brasil. Nós conseguimos ultrapassar 1 milhão de toneladas de peixes cultivados. Com esse número, somos o maior produtor de peixes das Américas. O futuro chegou e agora vamos estabelecer novos futuros. Crescemos 4,4%, é um número bastante significativo quando comparamos com outras proteínas de origem animal”.

Além de liderar a atividade nas Américas, o Brasil abre caminho para chegar ao topo da produção mundial. “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo. A meta é chegar à liderança global em 2040”, explica Medeiros.

O presidente da Peixes BR destaca ainda que o crescimento da produção aconteceu em um cenário desafiador. Ao longo de 2025, produtores enfrentaram desafios como as adversidades climáticas, seja com temperaturas muito baixas ou muito elevadas, questões sanitárias e instabilidade nas cotações dos peixes.

Além disso, o mercado como um todo sofreu com o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a diversos itens produzidos no Brasil, inclusive pescados. Houve ainda a concorrência com tilápias importadas do Vietnã e surgiu a possibilidade de a tilápia ser incluída pelo governo brasileiro em uma lista de espécies exóticas invasoras, o que seria uma trava para a atividade.

Para 2026, as expectativas são de um ano positivo para o setor. “Estamos no período de quaresma com mercado regulado e a expectativa é já começar as exportações para os Estados Unidos. Então, temos uma oportunidade de um ano mais estável. Quando se fala em estabilidade, não significa que as empresas vão ganhar dinheiro, as empresas precisam reduzir custos, melhorar eficiência, porque o consumidor quer qualidade a preço acessível. Se não surgirem inconvenientes como em 2025, o ano será positivo para o setor”, finaliza.

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