Importações e insumos mais caros desafiam produtor de leite em Minas Gerais

Em setembro, preço pago em Minas para alimento entregue em agosto foi de R$ 3,044 por litro, ficando praticamente estável, segundo Cepea
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Importações e insumos mais caros desafiam produtor de leite em Minas Gerais
Após oito altas, Conseleite MG aponta recuo de 1,8% no valor de referência para leite a ser pago agora em outubro | Foto: Divulgação Girolando

O preço do leite pago ao produtor em Minas Gerais começou a mostrar tendência de queda diante do aumento da oferta, da concorrência com produtos importados e da menor sustentação das cotações dos derivados lácteos. O preço levantado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o leite entregue em agosto e pago em setembro em Minas Gerais foi de R$ 3,044 por litro, ficando praticamente estável frente ao último pagamento, com pequena alta de 0,71%. Após oito altas consecutivas, o Conseleite MG aponta recuo de 1,8% no valor parcial de referência para o leite entregue em setembro e que será pago em outubro.

Somado à tendência de queda, a recuperação dos preços do milho e da soja acende um sinal de alerta para os custos de produção e reforça a necessidade de maior cautela no planejamento e na realização de investimentos no segundo semestre.

A gerente de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que, em setembro, a indústria, em função da queda de vendas e de preços dos derivados, teve a capacidade de pagamento reduzida, o que impactou o campo. No período, em média, os preços do leite em pó recuaram 1%, do UHT, 1,7%, e da muçarela, 2,9%.

“A gente tem visto uma queda na comercialização de importantes derivados, como o leite UHT e o leite em pó. Em setembro, isso refletiu em queda nos preços desses produtos e também na capacidade de pagamento da indústria ao produtor. No mês passado, a gente teve uma sinalização de quase estabilidade no preço do leite pago ao produtor e agora, para o pagamento de outubro, o Conseleite MG já aponta uma queda de 1,8% para o leite entregue em setembro”.

Outro fator que tem pressionado a cotação no mercado interno é a entrada do leite importado. Conforme o Cepea, ainda que as importações brasileiras de lácteos tenham diminuído 2,54% de julho para agosto, somando 230,3 milhões de litros em equivalente leite, o volume adquirido no exterior permaneceu em patamar elevado, sendo quase 40% acima do registrado em agosto de 2025. No período, o leite em pó representou 72,3% das importações, com 166,58 milhões de litros em equivalente leite, quantidade 0,99% superior à de julho. Ainda conforme o Cepea, a entrada elevada de produtos importados segue contribuindo para ampliar a oferta disponível no mercado interno e limitar a sustentação dos preços.

Apesar do movimento de baixa no mercado atacadista, Mariana Simões destaca que o consumidor ainda não percebeu uma redução equivalente nos preços. “Quando a gente olha os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os lácteos estão com uma inflação acumulada acima da inflação média do Estado. Então, essa queda, a princípio, ainda não chegou ao consumidor”, observa.

Os dados do Conseleite MG mostram que leite e derivados acumularam inflação de 6,18% em 12 meses até agosto, acima dos 4,22% do IPCA no período.

Para os próximos meses, a perspectiva é de preços mais contidos, influenciados pela recuperação da produção e pela continuidade das importações. “Com o aumento da produção, embora neste ano esse crescimento esteja um pouco mais contido, e com as importações ainda em volumes elevados, podemos ter um segundo semestre com preços mais estáveis ou até em queda, possivelmente até o fim do ano, com a chegada da safra”, afirma a gerente de Agronegócio da Faemg Senar.

A pressão sobre as receitas ocorre em um momento de elevação dos custos. O Índice de Custo de Produção do Leite (ICP-Leite), da Embrapa, subiu 1,47% em agosto e acumulou alta de 3,73% em 12 meses. Em setembro, os preços médios do milho e da soja nas praças mineiras avançaram 7,4% e 10,4%, respectivamente, na comparação com agosto.

“Independentemente do tamanho do produtor, hoje a eficiência é pré-requisito para o produtor permanecer na atividade leiteira. Com toda a questão de oscilação de preços e de custo de produção que o setor vive, se a propriedade não tiver um planejamento produtivo e econômico, é impossível permanecer na atividade leiteira hoje”, analisa.

Mariana Simões ressalta ainda que o comportamento do mercado também dependerá das condições climáticas: “A gente está em um ano de El Niño, então muitas interferências climáticas podem acontecer nesse mercado. O produtor precisa ficar atento, porque a queda de preço é complicada”.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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