Diversidade agrícola fortalece produção de Minas Gerais
A agricultura de Minas Gerais, terceira maior do País, alcançou um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 109,4 bilhões em 2025, crescimento de 26,3% em relação ao ano anterior. O resultado manteve o Estado na terceira posição no ranking nacional, atrás de Mato Grosso e São Paulo, e elevou a participação no faturamento agrícola brasileiro para 11,8%. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o ritmo de crescimento em Minas foi superior ao do Brasil, que avançou 18,4% e atingiu um VBP de R$ 927,2 bilhões.
Conforme a analista das pesquisas agropecuárias do IBGE em Minas Gerais, Juliana Dias Alves, o desempenho de Minas reflete a diversidade da produção estadual, que reúne desde culturas tradicionais, como café, milho e soja, até a fruticultura e horticultura variadas. Entre os 70 produtos levantados pela pesquisa do IBGE, Minas Gerais figura entre os três maiores produtores nacionais de 25. O Estado também ocupa a primeira posição na produção de morango, batata-inglesa e alho, além de liderar o cultivo de café.
“Minas tem, realmente, uma diversidade enorme. A gente produz praticamente tudo. Este ano, a PAM passou a incluir mais produtos e este levantamento mais amplo permitiu um conhecimento mais aprimorado sobre a produção estadual e a participação no cenário nacional”, explicou.
Café lidera o valor da produção agrícola em Minas
Dentre os produtos agrícolas cultivados em Minas Gerais, o café permaneceu como principal componente do valor da agricultura mineira, com R$ 50,2 bilhões, gerando um acréscimo de 42,9%, em relação ao ano anterior. Apesar da produção ter recuado 7,3%, para cerca de 26 milhões de sacas, o aumento dos preços pagos aos cafeicultores elevou em 42,9% o valor gerado pela atividade. Entre os municípios maiores produtores do País, Patrocínio seguiu com o primeiro, Manhuaçu ocupando a segunda posição e Monte Carmelo em quarto lugar.
A soja ocupou a segunda posição entre as maiores produções agrícolas, com participação de 16,4% no VBP estadual e crescimento de 31,5% no valor da produção. O milho também apresentou avanço, de 40,1%.
A cana-de-açúcar respondeu por 11,7% do valor da agricultura mineira, com R$ 12,8 bilhões. O município de Uberaba, no Triângulo, liderou a produção nacional, com destaque também para Frutal, ocupando a 8ª posição, e Conceição das Alagoas, 27º lugar nacional em quantidade produzida.
Ao longo de 2025, a banana representou 2% do VBP mineiro, com R$ 2,18 bilhões. Terceiro maior produtor da fruta, Minas Gerais tem o município de Jaíba como o quarto maior produtor de banana do País.
Destaque também para o morango, que passou a integrar a PAM. Em 2025, Minas Gerais respondeu por 53% da produção nacional, assim, a fruta assumiu a sétima colocação entre os 10 maiores valores de produção do Estado. Os municípios de Bom Repouso, Estiva e Pouso Alegre são os maiores produtores do País.
“A inclusão do morango foi uma questão metodológica. Com a inclusão, identificamos que Minas é o maior produtor nacional de morango”, aponta a analista do IBGE em Minas.
Minas se destaca na produção de hortaliças
A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) também passou a acompanhar outras culturas, como cenoura, alface, abóbora, pimentão, chuchu, repolho, inhame e milho verde. O Estado lidera a produção de importantes itens da alimentação brasileira, respondendo por aproximadamente 46% da produção nacional de cenoura, 44% de alho e 33% de batata-inglesa e abóbora.
Para a analista de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, as hortaliças estão presentes na alimentação da população e representam uma importante atividade econômica para milhares de produtores. “Em Minas Gerais, a diversidade de condições produtivas e a distribuição regional da atividade contribuem para a formação de uma cadeia relevante para o abastecimento e para a geração de renda no meio rural”.
De acordo com Mariana, o desempenho varia entre as diferentes culturas. “Na comparação entre 2024 e 2025, batata-doce, mandioca, cebola e batata-inglesa registraram crescimento, enquanto alho e tomate tiveram redução. Fatores como condições climáticas, produtividade, custos, disponibilidade de mão de obra, decisões de plantio e comportamento dos preços influenciam diretamente esses resultados”, explica.
Entre as culturas analisadas, a batata-inglesa apresentou a maior produção em 2025, com 1,49 milhão de toneladas, seguida pela mandioca, com 625,4 mil toneladas; pelo tomate, com 585,2 mil toneladas; e pela cenoura, com 303,3 mil toneladas.
No comparativo anual, a produção das culturas analisadas avançou em 2025, com destaque para batata-doce e mandioca, que cresceram 13% e 11%, respectivamente. A batata-inglesa, principal cultura em volume, teve alta de 4%. Na contramão, alho e tomate registraram quedas de 11% e 1%.
Regionalmente, o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba concentra o maior volume de produção, com cerca de 1,8 milhão de toneladas em 2025, segundo os dados da PAM. A região é seguida pelo Sul/Sudoeste de Minas, com aproximadamente 700 mil toneladas, e pelo Norte de Minas, com cerca de 350 mil toneladas.
Conforme o IBGE, no ranking municipal do valor da produção agrícola, Unaí liderou em Minas Gerais, com R$ 2,58 bilhões, seguido por Uberaba, com R$ 2,56 bilhões, e Perdizes, com R$ 2,16 bilhões.
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