Cafeicultores de Minas apostam na macadâmia para diversificar produção e ampliar renda

Produtores mineiros apostam na macadâmia para diversificar a produção, apesar do alto investimento inicial e do longo prazo para retorno
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Cafeicultores de Minas apostam na macadâmia para diversificar produção e ampliar renda
Planta da macadâmia começa a produzir com cerca de 5 a 6 anos e é chamada de “rainha das nozes” Foto Divulgação Emater- MG

Produtores de café em Minas Gerais, principalmente no Sul de Minas, estão investindo na diversificação das culturas agrícolas com a adoção do plantio da macadâmia. Conhecida como a “rainha das nozes” pelo alto valor nutricional, a macadâmia é vista como uma boa opção para quem busca uma alimentação saudável e melhor qualidade de vida, o que tem garantido bons preços aos produtores.

No Estado, conforme os dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), são 76 hectares em produção e outros 51 hectares em formação, resultando em um volume total de 1,82 mil toneladas de macadâmia ao ano.

Conforme o coordenador técnico estadual de fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, embora não seja uma atividade de grande expressão no Estado, o cultivo tem sido adotado, ainda que com crescimento lento, como uma alternativa de diversificação de negócios por produtores de café no Sul de Minas e na região de Patos de Minas.

“O plantio da macadâmia exige um investimento alto e o produtor precisa estar capitalizado. Isso porque a planta começa a produzir com cerca de 5 a 6 anos, com baixo volume. O retorno do capital geralmente acontece de 9 a 11 anos, quando a produção fica maior. É um gargalo, porque a pessoa tem que ter dinheiro para poder levar a cultura até começar a ter retorno do capital do investimento. Com o tempo de espera maior, a expansão das lavouras ocorre de forma lenta, com os produtores aumentando as áreas de cultivo de maneira gradual”.

Ainda segundo Sanábio, pela baixa oferta e crescimento do consumo, a produção é rentável. Ele explica que o mercado da macadâmia é dolarizado e, por isso, a cotação varia conforme a época de colheita, oferta e demanda. A comercialização é direcionada majoritariamente para o setor de alimentação, impulsionada pela demanda crescente de consumidores que buscam alimentos de alto valor nutricional, uma alimentação saudável e melhor qualidade de vida.

“A macadâmia é um produto rico em ômega, ácidos graxos e antioxidantes, o que atende ao consumidor que busca uma alimentação de qualidade. Além disso, o mercado é exigente e tem alto padrão no que se refere à qualidade, tamanho, sabor, aparência e classificação da noz”.

A cultura se adapta a regiões de clima ameno e úmido, como o Sul de Minas, inviabilizando o plantio em áreas quentes como o Norte de Minas e o Triângulo Mineiro. No cenário nacional, São Paulo lidera a produção com 33%, seguido pelo Espírito Santo com 31% e Minas Gerais, com cerca de 25%.

No Estado, o município de Guimarânia, no Alto Paranaíba, lidera a produção com 720 toneladas colhidas em uma área de 60 hectares. Logo em seguida, vem Muzambinho que possui a maior área cultivada do Estado, com 92 hectares, mas ocupa a segunda posição em volume, com 414 toneladas, em razão de uma menor produtividade.

O ranking dos cinco maiores produtores mineiros inclui ainda Poços de Caldas, com 50 hectares e 250 toneladas, Guaxupé, com 23 hectares e 183 toneladas, e Belmiro Braga, com 30 hectares e 150 toneladas de macadâmia produzidas ao ano. A produtividade média registrada no Estado é de 4,2 toneladas por hectare.

Entre os desafios, conforme a Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC), está a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura, a adaptação às mudanças climáticas e a competição com outros grandes produtores globais. Porém, as oportunidades para o produto são vastas. O crescimento da demanda global por alimentos saudáveis e premium oferece um mercado promissor para os produtores brasileiros de macadâmia.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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