Agronegócio

Valor Bruto da Produção agropecuária recua 1,3% em Minas Gerais

Leite e soja puxam queda, mas café e carne bovina apresentam alta na estimativa de 2026 para o Estado
Valor Bruto da Produção agropecuária recua 1,3% em Minas Gerais
Foto: torwaiphoto

Após encerrar 2025 com um Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária recorde de R$ 168 bilhões, um crescimento de 13,5% em relação ao ano de 2024, Minas Gerais deve registrar queda de 1,3% no VBP em 2026. A primeira estimativa para o ano, com base nos dados de janeiro, aponta para um faturamento bruto de R$ 165,9 bilhões. O resultado negativo vem de importantes produtos como o leite e a soja.

Conforme os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o valor da produção das lavouras aumentou 2,6%, chegando, portanto, a R$ 115,8 bilhões. Já na pecuária, a estimativa é de um faturamento bruto de R$ 50,1 bilhões, queda de 9,2% frente a 2025.

Principal produto que compõe o VBP do agronegócio de Minas Gerais, o café apresentou tendência de alta no faturamento bruto, evitando, assim, uma retração maior na estimativa de VBP para o Estado. Os dados do Mapa mostram um incremento de 10,3% no VBP da produção total do café. Com isso, o faturamento estimado subiu para R$ 64,8 bilhões em 2026. No caso do café arábica, a estimativa é de um faturamento de R$ 64,2 bilhões, alta de 10,6%. No conilon, o movimento é contrário e é esperada retração de 15,6%, com o VBP estimado para 2026 em R$ 627 milhões.

A estimativa positiva no VBP do café para 2026 se deve à previsão de crescimento na safra. Minas Gerais deve colher 32,4 milhões de sacas de café, volume 25,9% maior em comparação com o volume produzido na safra anterior.

O segundo maior VBP do Estado, a carne bovina, tende a crescer 5% e alcançar R$ 19 bilhões. Logo em seguida vieram a soja e o leite, porém, com estimativa de retração.

Soja e leite puxam retração

No caso da soja, a queda esperada no VBP é de 7,8%, assim, o faturamento bruto da lavoura deve chegar a R$ 17,3 bilhões. Desde o ano passado, a cotação da soja vem enfrentando quedas consecutivas. No caso da oleaginosa, também contribuiu para o resultado negativo a perspectiva de safra menor. Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para uma safra de 8,9 milhões de toneladas em Minas, portanto, uma queda de 2,2% frente à safra de grãos 2024/25.

Com base nos dados de janeiro, o leite registrou uma significativa retração de 21,9% no faturamento bruto, estimado em R$ 14,1 bilhões. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), 2026 começou com os preços do leite em patamares bem abaixo dos registrados em anos anteriores e as cotações só devem retomar a alta sazonal entre abril e agosto.

Minas Gerais, maior produtor nacional de leite, segue enfrentando uma severa crise de preços devido à importação de leite em pó via Mercosul, vindo principalmente da Argentina e do Uruguai.

Queda também é esperada no VBP da cana-de-açúcar, 5,8%, com faturamento de R$ 12,7 bilhões. A produção de frango teve o VBP estimado em R$ 7,7 bilhões, com isso, a estimativa é de retração de 7,34%. Os faturamentos das produções de suínos – R$ 7,3 bilhões – e de ovos – R$ 1,7 bilhão – tendem a ficar inferiores aos de 2025, com quedas previstas de 5,7% e 34,9%, respectivamente. Outros produtos que terão resultados negativos são a batata-inglesa (6,5%), o tomate (12,1%), o algodão (23,1%) e a laranja (34,8%).

Dentre as produções que iniciaram o ano com previsões de alta no VBP estão também o milho (1,3%), a banana (4%) e o feijão com incremento de 13%.

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