AMM lança plataforma com inteligência artificial para agilizar compras públicas em Minas

O AMM Compra Fácil visa simplificar processos de licitações e agilizar o dia a dia de prefeituras em todo o Estado de Minas
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AMM lança plataforma com inteligência artificial para agilizar compras públicas em Minas
Foto: Reprodução

Um dos grandes gargalos da gestão pública é achar eficiência administrativa com o bom uso dos recursos públicos para a realização das compras necessárias às cidades, como remédios, contratações de obras, instrumentos para educação, entre outras coisas que compõem o dia a dia dos 853 municípios de Minas Gerais.

É esse problema que a Associação Mineira de Municípios (AMM) pretende ajudar a solucionar com a ferramenta AMM Compra Fácil, que será lançada nesta terça-feira (20) na sede da AMM, em Belo Horizonte. A proposta da plataforma é usar a lógica dos marketplaces existentes no mercado comum de compras ao consumidor final, só que direcionada às cidades que precisam de recursos para o andamento diário.

“O AMM Compra Fácil funciona como um marketplace, igual aos da Amazon e de outros sites de compras. Você digita ‘guarda-roupa’ e aparecem vários fornecedores. Pode filtrar, por exemplo, quem entrega em cinco ou dez dias. Dá para ver qualidade, prazo, tudo. E os fornecedores também são avaliados pelos próprios compradores, que são os municípios. Então você consegue ver todo o histórico do fornecedor”, explica o presidente da AMM, Lucas Vieira, que também é prefeito de Iguatama, no Centro-Oeste do Estado.

“Eu sou de um município de 7 mil habitantes, onde temos limite de contratação e não há caixa para contratar mais gente. Tudo isso vai gerar economia em todo o processo licitatório e de mão de obra e, em contrapartida, vai entregar serviço de qualidade, com facilidade, aos gestores públicos”, avallia Vieira.

Simplificação e economia

Tradicionalmente, as licitações públicas têm duas grandes etapas. A primeira, que os técnicos de licitação chamam de fase interna, é a parte burocrática dentro do próprio órgão público: caracterizar a demanda, especificar o que se quer comprar, fazer o termo de referência, a pesquisa de preço, o edital e a minuta de contrato.

Quando se publica o edital, começa a fase externa, que consiste em chamar fornecedores para apresentar propostas nos termos do edital e avaliá-las, até a assinatura do contrato. Os sistemas tradicionais que existem no mercado focam só na fase externa. A proposta do AMM Compra Fácil é ser um sistema que também cubra a fase interna, permitindo que o servidor público faça todo o processo na plataforma. O servidor não começa com “uma página em branco”, porque a plataforma tem uma inteligência artificial integrada a um banco de dados de compras públicas, que inclui jurisprudência, decisões de órgãos de controle e outras solicitações.

“Você quer comprar uma régua. Normalmente, você teria que fazer tudo e depois jogar nas plataformas existentes. Você chega e diz para a IA: ‘Quero comprar uma régua.’ Ela vai ajudando você a construir a descrição e a saber o preço. A IA busca atas de registro de preço e outras referências e formata um preço para você avançar. É claro que a responsabilidade é do servidor, que baixa o documento, analisa, assina e devolve na plataforma, mas isso permite que ele ganhe tempo”, comenta o CEO da AR Digital, empresa desenvolvedora do sistema, Diogo Prosdocimi.

Impactos

A expectativa é que processos que demoram entre 270 e 300 dias ou mais caiam para o mínimo legal. Cada modalidade de licitação tem o seu prazo: uma obra tem 90 dias, outras modalidades têm 30, enfim, há vários mínimos. A ferramenta poderá reduzir esse prazo e tornar a licitação muito mais célere, tanto para a compra de remédios quanto de materiais para o dia a dia das cidades.

“Vou dar uma noção do impacto para a vida do cidadão. Hoje, quando o município vai comprar hortifrúti, por exemplo, tomate para a merenda escolar, ele faz um processo de 270 dias e fixa o preço do tomate. Aí acontecem duas coisas possíveis. O preço do tomate muda com muita frequência. Se o município fixou o preço num momento em que estava em baixa, ninguém quer fornecer. Daí, ele gastou 270 dias e não recebe nada, porque o fornecedor desistiu. Ou o preço sobe e ele acaba pagando mais caro”, comenta Prosdocimi.

Segundo ele, com o marketplace do AMM Compra Fácil, o município faz a compra de imediato, em curto prazo. Assim, a compra permite que fornecedores menores participem, o que pode trazer fornecedores de todos os tipos e tamanhos para ofertar seus produtos, e as cidades poderão cotar sempre as melhores oportunidades de compra.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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