Black November quer fisgar 13º que deve movimentar mais de R$ 4,68 bilhões em Minas
A Black Friday já é a data de maior tíquete médio do varejo de Belo Horizonte e a projeção para este ano é de um novo recorde. O gasto médio por consumidor em 2025 passou de R$ 2 mil e deve ser ainda maior em 2026, acompanhando a tendência de alta no tíquete em todas as datas especiais deste ano. O motivo é simples: segundo o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Fernando Cardoso, diferentemente do Natal, que é uma das datas mais importantes para o varejo, mas com tíquete médio menor, novembro é o mês da compra de produtos para o próprio consumidor.
“É a troca de eletrodomésticos que o consumidor vem planejando há meses. Geladeira, TV nova, ar-condicionado, notebook, celular. São produtos de maior valor que fazem o consumidor aguardar a Black Friday para comprar”, assinala Cardoso. Ele explica que esse é um consumidor muito mais pesquisador, que acompanha preço por alguns meses antes de chegar novembro e só fecha negócio quando vê queda real nos preços.
Esse comportamento tem feito os lojistas mudarem a estratégia: ao invés de concentrar tudo na última sexta-feira do mês, a aposta é na Black November, com ofertas estendidas ao longo do mês todo. O objetivo é duplo: evitar ruptura de estoque e logística e capturar o dinheiro extra do 13º salário antes do Natal.

Só a Prefeitura de BH vai injetar R$ 484 milhões na economia com o pagamento do 13º dos servidores e o governo de Minas vai alocar R$ 4,2 bilhões com o pagamento do mesmo benefício do funcionalismo estadual. Somados, são cerca de R$ 4,68 bilhões de aproximadamente 640 mil servidores municipais e estaduais com poder de compra extra a partir de novembro.
A antecipação é vital para a economia da capital. Mais de 70% do PIB de Belo Horizonte vem do setor de comércio e serviços e mais de 80% dos empregos formais são gerados por esses segmentos. Garantir margem para desconto real com a indústria, integrar loja física e digital e treinar equipes para um cliente que chega com print de preço na mão são as frentes de preparação do varejo, segundo o vice-presidente da CDL-BH.
Segundo Cardoso, maquiagem de preço está fora do jogo. “Quem faz desconto verdadeiro constrói confiança. O cliente de Black Friday, com tíquete acima de R$ 2 mil, é fiel. Se ele percebeu vantagem real em novembro, ele volta em dezembro para o Natal e volta em novembro do ano que vem. Não é queima de estoque, é fidelização”, completa. E a fidelização importa uma vez que 82% das compras são consolidadas presencialmente e apenas 18% são compras online.
Leia mais: Intenção de consumo melhora em BH, mas endividamento ainda limita compras
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