Entidades criam fundo de crédito sem juros para comerciantes de Ubá atingidos pelas enchentes
Comerciantes atingidos pelas enchentes em Ubá, na Zona da Mata mineira, terão acesso a crédito sem juros por meio do Fundo de Crédito Solidário Abrace Ubá, acordo firmado pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) com entidades. A iniciativa direciona recursos a quem precisa reabrir negócios e manter empregos após os prejuízos causados pelas chuvas em fevereiro deste ano, que já ultrapassam R$ 2,5 bilhões, segundo a Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá).
O objetivo, segundo o MPMG, é acelerar a retomada econômica do município. O protocolo foi assinado na sexta-feira (10) por representantes do Ministério Público, do Serviço Social Autônomo Servas, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB/MG) e da Aciubá.
O fundo prevê empréstimos sem juros e com prazo de até 48 meses para pagamento. A gestão ficará a cargo da Aciubá, com acompanhamento das instituições parceiras e mecanismos de controle social. A proposta inclui ainda a reinversão dos valores devolvidos em novas ações sociais, criando um fluxo contínuo de apoio à economia local.
Esse acordo, que articula instituições públicas e entidades da sociedade civil, tem vigência de cinco anos e visa apresentar uma resposta prática aos efeitos das enchentes. A expectativa dos envolvidos é que a medida reative a economia local ao oferecer condições para que empreendedores consigam retomar suas atividades.
De acordo com levantamento realizado pela Aciubá, o impacto econômico das enchentes em Ubá já ultrapassa R$ 2,5 bilhões. Além disso, cerca de 80% do comércio foi atingido, sobretudo na região central da cidade, às margens do rio. Ao menos 1.670 empreendedores foram diretamente afetados e a maioria perdeu praticamente tudo e, além disso, uma parcela não deve conseguir retomar as atividades.
O presidente da entidade, Elias R. Coelho, ressalta a urgência da medida. Ele destaca a necessidade desse recurso para reerguer o comércio local. “Nós temos bastante cesta básica. Nós precisamos de recurso financeiro para ressuscitar o comerciante, já que o impacto foi de mais de R$ 2,5 bilhões. Nosso compromisso é fazer esse apoio chegar rápido a quem precisa”, diz.
MPMG destina R$ 2 milhões

O MPMG já direcionou aproximadamente R$ 2 milhões para campanhas de auxílio às vítimas das enchentes em Ubá e Juiz de Fora. O procurador-geral de Justiça Paulo de Tarso Morais Filho acredita que essa iniciativa traduz uma atuação voltada a resultados concretos. Segundo ele, este é o momento de a entidade reafirmar, na prática, o papel como agente de transformação social.
“O Ministério Público não atua apenas na fiscalização da lei, mas também na construção de soluções que respondam aos desafios reais da sociedade”, garante. Morais ressalta que cerca de R$ 1 milhão será repassado ao Fundo de Crédito Solidário e o restante será destinado para a campanha SOS Águas e demais ações. “E faço um convite para que outras instituições de Justiça e o setor privado auxiliem também nesse momento de crise”, acrescenta.
A presidente do Servas, Christiana Renault de Almeida, destacou que os recursos já começam a chegar à região e devem alcançar tanto comerciantes quanto famílias afetadas. Ela afirma que esse acordo vai possibilitar o auxílio aos comerciantes de Ubá e ampliar o apoio à população atingida.
“Os recursos oriundos do Ministério Público vão ser aplicados tanto no soerguimento dos comerciantes, por meio desse memorando de entendimentos, que estabelece a possibilidade de empréstimo, um empréstimo praticamente a fundo perdido para os comerciantes de Ubá, mas também com a possibilidade de atuar em outras frentes, ajudando a população”, explica.
(Com informações do MPMG)
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