Fora do eixo tradicional, bairros de BH têm alta de até 60% nos imóveis; veja onde

Camargos, na região Noroeste, e Letícia, em Venda Nova, superam valorização média de 8,3% registrada na Capital
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Fora do eixo tradicional, bairros de BH têm alta de até 60% nos imóveis; veja onde
Foto: Diário do Comércio/ Arquivo/ Charles Silva Duarte

Quem pretende comprar um imóvel em Belo Horizonte pode se surpreender com a valorização de bairros fora do eixo tradicional das regiões mais caras da Capital. Entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, bairros como Camargos, na região Noroeste, e Letícia, em Venda Nova, registraram altas de 60,2% e 51,1%, respectivamente, nos preços médios dos imóveis anunciados para venda. No mesmo intervalo, o valor médio na cidade subiu 8,3%, chegando a R$ 1,01 milhão, segundo levantamento da Loft.

A pesquisa analisou anúncios de casas e apartamentos em 127 bairros da cidade e identificou aumento dos preços em 122 deles. Apesar da alta disseminada, os valores variam significativamente conforme a localização: enquanto o preço médio no Califórnia, também na região Noroeste, bairro com os imóveis mais baratos do levantamento, ficou em R$ 274,5 mil, no Mangabeiras, na região Centro-Sul, chegou a R$ 3,7 milhões.

Bairros fora do eixo mais caro registram maiores altas

O bairro Camargos liderou a valorização dos preços médios anunciados, com avanço de 60,2%, para R$ 594.943. No Letícia, o aumento foi de 51,1%, elevando a média para R$ 649.949. Já no Cidade Jardim, na região Centro-Sul, o preço médio subiu 38,8%, para R$ 1,42 milhão.

Os números, porém, exigem uma análise além do preço total. Nos três bairros, o tamanho médio dos imóveis anunciados também aumentou, o que ajuda a explicar parte da variação. No Cidade Jardim, por exemplo, a área média cresceu 56,9%, enquanto o preço por metro quadrado recuou 3,7%. No Letícia, esse indicador avançou apenas 1,5%, apesar da alta superior a 50% no preço médio dos imóveis.

O Camargos apresentou um movimento diferente: além do aumento da área média, de 47,1%, o preço por metro quadrado subiu 8,4%. No Diamante, no Barreiro, o preço médio chegou a R$ 735.953, alta de 37,4%, mas o valor por metro quadrado avançou apenas 0,9%.

“Em Belo Horizonte, a alta de preço foi disseminada, mas os maiores aumentos, como Camargos, Letícia e Cidade Jardim, vieram acompanhados de imóveis maiores entre os anúncios: nesses três bairros, o preço por metro quadrado varia entre −3,7% e +8,4%, bem abaixo da alta do preço dos imóveis”, afirma o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi.

Onde estão os imóveis mais acessíveis

Para quem procura alternativas com menor preço de aquisição, o Califórnia apresentou a menor média entre os bairros analisados, de R$ 274.545. Ainda assim, o valor subiu 19,6% em um ano. No Jaqueline, na região Norte, o preço médio chegou a R$ 370.626, alta de 31,9%, enquanto no Mantiqueira (Venda Nova) ficou em R$ 395.190, com recuo de 0,5%.

Os bairros Piratininga, em Venda Nova, com média de R$ 410.306, e Lagoinha (Noroeste), com R$ 425.342, também aparecem entre as localidades mais baratas. A comparação, no entanto, deve considerar a metragem e as características dos imóveis. No Jaqueline, por exemplo, a área média anunciada aumentou 62,6% no período. Já no Mantiqueira, embora o preço médio tenha caído, o valor por metro quadrado subiu 9,7%.

Mangabeiras e Belvedere concentram os maiores preços

Na outra ponta do mercado, Mangabeiras e Belvedere (Centro-Sul) registraram os maiores preços médios de venda anunciados em Belo Horizonte. No Mangabeiras, o valor chegou a R$ 3,69 milhões, alta de 9,1% em um ano. No Belvedere, alcançou R$ 3,45 milhões, avanço de 7,8%.

O Bandeirantes, na Pampulha, aparece em terceiro lugar, com média de R$ 2,74 milhões. A diferença entre os extremos do levantamento é expressiva: o preço médio no Mangabeiras equivale a 13,4 vezes o registrado no Califórnia. Além da localização, o tamanho dos imóveis influencia essa distância. No Mangabeiras, a área média anunciada foi de 559,6 metros quadrados, contra 60,8 metros quadrados no Califórnia.

O levantamento da Loft compara preços médios, áreas médias e valores por metro quadrado de casas e apartamentos anunciados entre julho e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026. Os valores representam preços pedidos nos anúncios, que podem ser diferentes dos montantes efetivamente negociados.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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