BH pode mudar cobrança de imposto e encarecer carga tributária da construção civil; entenda

Projeto aprovado em 1º turno na CMBH altera regras do ISSQN e pode elevar o valor pago por empresas do setor; Prefeitura afirma que legislação atual teria levado à perda de R$ 14 milhões em 2025
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BH pode mudar cobrança de imposto e encarecer carga tributária da construção civil; entenda
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em 1º turno, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei (PL) 692/2026, de autoria do Executivo, que busca adequar a legislação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) na capital mineira a um entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal definiu, em 2023, que a base de cálculo do ISSQN é o preço do serviço de construção civil contratado, não sendo possível deduzir os materiais empregados.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estima que a legislação que se pretende alterar teria levado à perda de até R$ 14 milhões em 2025, uma vez que o texto atualmente em vigor autoriza, de forma ampla, a dedução do valor dos materiais para a redução da base de cálculo do ISSQN e, por consequência, diminui o montante do imposto devido. Aprovada com 31 votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção, a proposta do Executivo segue tramitando em 2º turno.

Aumento da arrecadação pode beneficiar população, diz PBH

Na justificativa do PL 692/2026, a PBH argumenta que é “imprescindível a aprovação deste projeto para que o Município possa arrecadar recursos que poderiam servir à realização de investimentos e ao financiamento da prestação de serviços públicos a seus cidadãos, e também para que o Município passe a atuar em conformidade com as regras e entendimentos vigentes.

Segundo o 1º vice-líder de governo, Diego Sanches (Solidariedade), esse é um “projeto que busca, meramente, fazer uma adequação alinhada à legalidade e, obviamente, defende regras claras que impactam de forma responsável o orçamento.

Caso o projeto da prefeitura se torne lei, só ficará excluído da base de cálculo do ISSQN o valor dos materiais fornecidos pelo prestador dos serviços que atendam, cumulativamente, às seguintes condições:

  • sejam produzidos fora do local da prestação do serviço e incorporados após sua conclusão;
  • tenham sido produzidos pelo prestador de serviço e comercializados na condição de contribuinte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com a comprovação de tal qualidade por meio de documento fiscal idôneo;
  • estejam discriminados, com descrição e respectivo valor, no documento fiscal emitido em decorrência da prestação do serviço.

Oposição critica aumento da cobrança

Contrário ao projeto, o vereador Braulio Lara (Novo) foi um dos parlamentares a se posicionar em Plenário. “A prefeitura está querendo arrecadar mais, está encarecendo a construção civil e os serviços de reforma em Belo Horizonte. É isso que está acontecendo. É a sanha de quem está gastando muito e precisa de mais dinheiro para colocar no caixa, esta é a verdade”, disse.

O vereador Uner Augusto (PL) relacionou o PL 692/2026 com o PL 503/2025, também da prefeitura, cujo objetivo é atrair casas de apostas virtuais, conhecidas como “bets”, para Belo Horizonte, por meio da redução da alíquota do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para este setor.

“O Projeto 503 dá isenção de ISS – mesmo imposto que o Damião está aumentando agora – para casa de aposta, para ‘bet’ na nossa cidade. Ele quer atrair empresas de aposta em Belo Horizonte, abrindo mão de receita, de R$ 11 milhões”, afirmou o parlamentar, que se posiciona de forma contrária tanto ao PL 692/2026 quanto ao PL 503/2025.

Caso o projeto se torne lei, a medida proposta entrará em vigor no primeiro dia do ano subsequente à sua publicação, observado o transcurso de 90 dias. De acordo com o Executivo, ao garantir aos contribuintes prazo para adaptação às novas regras, o objetivo é afastar qualquer possibilidade de surpresa tributária.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026


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