Construção civil de Minas Gerais cresce 0,3% no segundo trimestre, mas acumulado é de retração

Fiemg aponta melhora da infraestrutura e do emprego, mas construção de edifícios perde dinamismo
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Construção civil de Minas Gerais cresce 0,3% no segundo trimestre, mas acumulado é de retração
Crédito: Reprodução/ Adobe Stock

A construção civil de Minas Gerais cresceu 0,3% em abril, maio e junho deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2026. Apesar da melhora, o resultado do primeiro semestre é de retração de 2,6% no setor no Estado. Os dados estão no Boletim Setorial da Construção, elaborado pela gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Já no Brasil, segundo a entidade, os resultados são inversos: no segundo trimestre, ante alta de 0,3% em Minas, o setor registrou queda de 0,4% no País. No primeiro semestre, enquanto o Estado registra retração de 2,6%, o Brasil apresenta crescimento de cerca de 1%. Veja os dados na tabela:

Melhora é gradual, diz economista da Fiemg

De acordo com o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, os dados apontam para uma melhora recente da atividade, ainda sem força suficiente para reverter o resultado do ano. “A construção mineira apresentou avanço no segundo trimestre e o mercado de trabalho também mostrou melhora, principalmente nas obras de infraestrutura. Ainda assim, o desempenho acumulado segue negativo e indica que a recuperação ocorre de forma gradual”, afirma.

Um dos fatores de influência são as vendas de materiais de construção, que recuaram quase 2% no Estado no acumulado do ano, frente à queda de 0,8% no Brasil. Ao mesmo tempo, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de cerca de 6,7% em 12 meses até junho.

Enquanto isso, no mercado de trabalho o cenário é mais favorável: ainda conforme a entidade, entre janeiro e julho deste ano, o saldo de empregos da construção mineira passou de 20,7 mil para 21,6 mil vagas, alta de aproximadamente 4% em relação ao mesmo período de 2025.

O principal destaque foi o segmento de obras de infraestrutura, que ampliou o saldo de 7,3 mil para 11,3 mil postos, crescimento de mais de 55%. Já a construção de edifícios registrou queda de cerca de 70% no saldo acumulado.

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Infraestrutura é ponto positivo de 2026

Por fim, a análise de João Gabriel Pio aponta que a melhora da infraestrutura é uma das principais mudanças observadas em 2026 no Estado. Segundo ele, depois de perder força no ano passado, o segmento voltou a crescer a partir do segundo trimestre deste ano. Ao mesmo tempo, porém, a construção de edifícios concentra a maior perda de dinamismo.

Com isso, a expectativa para os próximos meses é que a construção mineira encerre 2026 próxima da estabilidade. De acordo com Pio, os programas habitacionais e os investimentos em infraestrutura devem contribuir para sustentar a atividade.

“A perspectiva é de uma melhora gradual até o fim do ano. A infraestrutura deve continuar contribuindo para a atividade, mas uma retomada mais consistente depende de condições mais favoráveis de financiamento e de uma recuperação da demanda privada”, encerra.

Sobre o autor

Anderson Rocha

Repórter multimídia do Diário do Comércio desde 2025. Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação Digital pela PUC Minas. Vencedor dos prêmios CNJ, Mercantil, Sebrae, CDL/BH e CBN de Jornalismo.


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