Importação de produtos com aço pressiona mercado brasileiro e afasta alta de preços
As importações de produtos que utilizam aço na fabricação, como automóveis, máquinas e equipamentos, estão entre os principais fatores de pressão sobre o mercado brasileiro de aços planos. O avanço desses produtos, especialmente os de origem chinesa, tem reduzido a demanda pelo aço nacional e dificultado a recuperação das vendas das distribuidoras. O cenário foi traçado pelo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (22).
Segundo Loureiro, mesmo com medidas de defesa comercial, como as tarifas antidumping adotadas contra determinados produtos siderúrgicos, a importação de bens fabricados com aço continua afetando a demanda pelo aço nacional. Ele cita a entrada de automóveis chineses e o avanço das importações de máquinas e equipamentos, inclusive no segmento agrícola.
“Você pode segurar um pouco a importação do aço com as medidas antidumping, mas produtos contendo aço é o que está realmente causando mais problemas para o mercado interno, em termos de consumo”, afirmou.
Na avaliação de Loureiro, esse cenário, somado ao elevado nível dos estoques e à retração sazonal esperada para o fim do ano, afasta a possibilidade de aumento nos preços do aço nos próximos meses. “Não vejo, em função da situação atual de estoques e da situação normal de fim de ano, qualquer possibilidade de aumento de preço”, afirmou ao comentar o desempenho do setor em setembro.
Os números do Inda mostram as dificuldades enfrentadas pelas distribuidoras. As compras de aços planos recuaram 1,9% em setembro, na comparação com agosto, para 333,7 mil toneladas. Em relação ao mesmo mês de 2025, a queda foi de 7,3%. As vendas, por sua vez, tiveram leve alta mensal de 0,5%, para 335,8 mil toneladas, mas ficaram 7,2% abaixo do volume registrado um ano antes.
Embora tenham recuado 0,2% em relação a agosto, os estoques permanecem elevados, em 1,18 milhão de toneladas. O giro de estoque fechou setembro em 3,5 meses, mantendo a pressão sobre o mercado e limitando a capacidade de repasse de aumentos de preços.
Importações
As importações diretas de aço também reforçam a pressão sobre o mercado. Em setembro, o volume importado cresceu 34,3% em relação a agosto, para 266 mil toneladas, e avançou 10,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, houve queda de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O presidente do Inda também observa uma mudança na origem das importações diretas de aço, com maior participação de países como Vietnã e Coreia do Sul. Segundo ele, o material vietnamita chega ao mercado com preço cerca de US$ 50 por tonelada superior ao do produto chinês. Questionado sobre a eventual adoção de medidas antidumping contra o Vietnã, Loureiro avaliou que os resultados poderiam levar de um ano a um ano e meio para aparecer.
Perspectivas
Para outubro, a expectativa das distribuidoras associadas ao Inda é de estabilidade nas compras e nas vendas em relação a setembro. Uma recuperação mais consistente segue condicionada à melhora da atividade econômica e do consumo interno.
Loureiro também apontou o custo do crédito como um obstáculo aos investimentos. Na avaliação dele, os juros elevados desestimulam projetos empresariais e limitam a retomada do mercado. Com a demanda enfraquecida e os estoques ainda altos, as siderúrgicas não têm encontrado condições favoráveis para elevar os preços.
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