Importações de aço despencam refletindo novas medidas de defesa comercial da siderurgia nacional
Cenário incomum nos últimos anos, as importações brasileiras de aço estão em queda significativa. O movimento, na avaliação do mercado, reflete as recentes medidas de defesa comercial do setor siderúrgico implementadas pelo governo federal.
Dados do Instituto Aço Brasil mostram que, nos primeiros cinco meses deste ano, foram importadas 2,4 milhões de toneladas de laminados e semiacabados, o que representa uma redução de 17% ante o mesmo período de 2025. Quando se observam somente as compras externas de aço laminado (2,1 milhões de t), o recuo também foi de 17%.
Em baixa gradual desde março, as importações alcançaram, nos dois meses seguintes, os menores patamares em anos. Em maio, por exemplo, o País importou 266 mil t de laminados e 312 mil t na somatória com semiacabados, mínimas mensais que não eram registradas, respectivamente, desde fevereiro de 2023 e setembro de 2022.
Cabe recordar que, em janeiro, o governo brasileiro aprovou a aplicação de direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados chineses e indianos. Também autorizou o aumento do imposto de importação para 25% de nove tipos de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. Já em fevereiro, oficializou a taxação antidumping sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.
É válido mencionar que, na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o de 2025, as importações de aço haviam subido 4,2% mesmo com essas medidas. Parte desse crescimento estava vinculada a uma antecipação das compras pelos importadores para garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas tarifas.
O fortalecimento do arcabouço de defesa comercial gerou otimismo na indústria siderúrgica nacional. O Aço Brasil revisou as projeções para 2026, conforme informado no mês passado pelo Diário do Comércio. A entidade, que estimava alta anual de 3,9% nas compras externas de aços laminados e semiacabados e de 10% na entrada apenas de laminados, passou a prever quedas de 0,9% e 1,4%, respectivamente.
O que esperar daqui para frente
Para o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, a tendência é que o cenário de forte retração dos volumes de aço importado pelo País observado neste segundo trimestre seja mantido. “Contudo, ainda existe risco de o aço da China entrar no Brasil por exportação indireta de países vizinhos na Ásia”, pondera, ressaltando que será necessário acompanhar se esse fluxo vai se materializar.
O especialista avalia que as recentes iniciativas implementadas pelo governo federal beneficiam bastante a siderurgia nacional e que novas medidas voltadas ao aço do exterior tendem a ajudar ainda mais. “Mas cabe citar que a demanda local segue fraca pelo contexto econômico do País, principalmente juros altos e inflação elevada”, alerta.
Convém pontuar que existem outros processos antidumping em análise. Um deles é o de bobinas a quente e fio-máquina, cujas investigações preliminares apontaram danos e o setor espera uma definição para o começo do segundo semestre.
Além disso, no final de maio, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) renovou o mecanismo que impõe tarifa de importação de 25% e estabelece cotas de importação para 19 produtos siderúrgicos, adicionando mais um item a essa lista. O sistema, que busca conter a entrada de aço importado no Brasil e entrou em vigor em junho de 2024, também havia sido renovado em 2025 com a inclusão de tipos de aço.
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