Economia

Instituto Aço Brasil revisa projeções e passa a prever recuo nas importações de aço em 2026

As previsões foram alteradas após o governo ter fortalecido a defesa da siderurgia contra importações de aço consideradas predatórias
Instituto Aço Brasil revisa projeções e passa a prever recuo nas importações de aço em 2026
Compras externas de aço devem somar 6,3 milhões de toneladas neste ano | Foto: Reprodução Adobe Stock

O Instituto Aço Brasil revisou as projeções divulgadas em dezembro para as importações de aço em 2026. A entidade, que antes estimava alta de 3,9% em relação a 2025, totalizando 6,7 milhões de toneladas (t), passou a prever queda de 0,9%, somando 6,3 milhões de t.

Esses números incluem tanto laminados quanto semiacabados. A nova previsão para a entrada somente de aço laminado no País é de 5,7 milhões de t, com recuo de 1,4%, ao passo que a projeção anterior era de que o volume alcançasse 6,3 milhões de t neste ano, avançando 10% sobre o ano passado, quando atingiu o maior nível em 15 anos.

O instituto alterou as previsões após o governo federal ter fortalecido a defesa comercial da siderurgia nacional contra importações consideradas predatórias. Foram adotadas novas medidas ao longo do primeiro trimestre, que atendem, em parte, aos pedidos do setor.

Em janeiro, foi aprovada a aplicação do direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados de origem chinesa e indiana, além do aumento da alíquota de importação para 25% de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. No mês seguinte, foi oficializado o direito antidumping definitivo sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.

Nesta semana, durante coletiva de imprensa da Coalizão Indústria, o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, ressaltou que o setor sempre entendeu que a solução para as importações predatórias seria o modelo de hard quota – no qual se define uma cota de importação por país e a entrada de novos volumes é interrompida assim que o teto é atingido. Embora o pleito não tenha prosperado, ele reconheceu que o novo arcabouço de defesa da siderurgia está robusto com as recentes medidas implementadas.

Expectativa é de que a defesa funcione e as importações normalizem

Lopes ponderou que, mesmo robusto, o arcabouço para defesa do setor siderúrgico demanda tempo para surtir efeito. Ele destacou que o Aço Brasil está na expectativa de que funcione, tanto que a entidade ajustou as projeções e, agora, prevê redução nos volumes, ainda que pequena.

“A nossa expectativa é de que, com esse sistema robusto que temos agora – e é um reconhecimento público que faço –, consigamos assustar essas importações e as coisas se normalizem”, afirmou. “Essa é a expectativa para que possamos ocupar mais o fornecimento [de aço] para a construção civil e voltar a funcionar como sempre funcionamos, com a integração da cadeia”, salientou.

Empresas já haviam demonstrado otimismo

Alinhado com o discurso do presidente-executivo do Aço Brasil, algumas das maiores siderúrgicas com operações no País haviam sinalizado otimismo com as novas medidas estabelecidas pelo governo federal para tentar reduzir as importações de aço predatórias.

Em entrevista ao Diário do Comércio no início deste mês, o CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, disse que as medidas estão ganhando robustez e que, por isso, a companhia espera um arrefecimento das importações no decorrer do ano.

No fim de abril, em teleconferência para apresentação do balanço do primeiro trimestre, executivos da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também projetaram queda no ritmo das importações no segundo semestre.

De acordo com dados do Aço Brasil, o volume de aço importado pelo País subiu 4,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mas o entendimento tanto de Negresiolo quanto da Usiminas é que parte desse crescimento pode estar vinculada a uma antecipação das compras pelos importadores para garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas medidas.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas