Editorial

Crime asfixiado

Programa Brasil Contra o Crime Organizado quer sufocar o financiamento das facções
Crime asfixiado
Foto: Reprodução Adobe Stock

O lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado pelo governo federal, ontem, em Brasília, é um fio de esperança na redução da alarmante criminalidade no País. Como em poucas vezes na história, a estratégia será asfixiar o fluxo financeiro de facções e demais grupos criminosos, o que é imprescindível no combate ao crime.

A iniciativa do Executivo prevê recursos da ordem de R$ 11 bilhões em quatro eixos, além da oferta de uma linha de crédito.

O eixo que mais vai receber investimento, R$ 388,9 milhões, será o de ações de asfixia financeira. O plano prevê a criação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) nacionais, voltadas para operações interestaduais de alta complexidade, e o fortalecimento das atuais Ficcos estaduais. Também está prevista a expansão do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifras).

Para o sistema prisional, serão destinados R$ 330 milhões. O aporte nos processos de esclarecimento de homicídios será de R$ 201 milhões e o combate ao tráfico de armas receberá R$ 145,2 milhões.
Além disso, será criada uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, com recursos do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social, voltada para estados e municípios. Os entes poderão usar os recursos na modernização dos equipamentos utilizados pelas forças policiais.

Já passava da hora de o poder público identificar que não se combate o crime organizado apenas com incursões em favelas, com tiroteios, mortes e uma série de impactos para trabalhadores que vivem nessas comunidades, ações que geralmente não têm resultado efetivo. Isso se dá porque, na maior parte dos casos, os bandidos presos ou mortos em confronto estão apenas na base da pirâmide.

Os “cabeças” do crime organizado não estão na favela. As facções são alimentadas por uma complexa rede que, como já vimos, envolve até mesmo bancos e fundos de investimento no coração financeiro do País. Enquanto essa parcela do crime não for combatida, dificilmente teremos um resultado concreto.
Resta saber se esse plano será realmente colocado em prática ou se é somente mais um dos inúmeros casos de projetos com fins eleitoreiros que acabam ficando no papel após as eleições.

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