Giro pelo mundo

Das estepes e do cerrado (visitando o Casaquistão)

Projeto de cooperação na área agrícola pode ampliar as possibilidades entre o Brasil e o Casaquistão

No meio de estepes, onde há 30 anos pastavam cavalos, existe hoje uma capital moderníssima, do nono maior país do mundo, maior do que toda a Europa. Astana, República do Casaquistão. Um milhão de habitantes, com um monotrilho de 22 km sendo construído há 20 anos, que ainda não funciona, avenidas largas, prédios parecendo mais Nova Iorque do que Brasilia, mas no fundo uma, capital nas estepes, outra no cerrado. E pelo que parece, se houve inspiração em JK e Brasília e seus arquitetos geniais, ninguém menciona. E Astana, cidade limpa, com a maior mesquita da Ásia Central, tem temperaturas baixas no inverno, um vento forte o ano inteiro, e deixou para trás a antiga capital econômica do país, Almaty.

Para 20 milhões de habitantes, em 36 anos de independência da URSS tiveram só dois presidentes, a riqueza vem do petróleo, minerais e trigo. Mesmo que Yuri Gagarin tenha sido lançado para o espaço desde o Casaquistão, então uma das repúblicas soviéticas, o esforço de modernizar o país na área tecnológica e pós-industrial vai bem, mas petróleo é petróleo e ainda produz muito dinheiro.

A população é composta de várias etnias. Alem dos casacs, que predominam, há quase 40 % de russos, já que com a Rússia tem a maior fronteira terrestre do mundo,7.644 km. Quase o tamanho da costa brasileira. A Russia é o seu maior parceiro econômico, seguida pela China. Dois vizinhos com armas nucleares e potentes exércitos. Então, a diplomacia do Casaquistão é extremamente competente para equilibrar essas relações e manter o país na rota da independência e do desenvolvimento. O Presidente de Israel acabou de visitar Astana e o país vai aderir aos Acordos de Abraham, além de já ser membro associado dos Brics.

O Brasil é único país latino-americano que tem Embaixada em Astana. Tem alguns jogadores de futebol, e um intercâmbio entre universidades. Mas um projeto de cooperação na área agrícola pode ampliar as possibilidades. Hoje o Brasil exporta 90 milhões de dólares de produtos agrícolas, mas o potencial é totalmente desprezado pelas empresas brasileiras. A Embraer já esteve mais presente. E como comparação, a Áustria, muito menor do que o Brasil, tem a presença de 400 empresas no Casaquistão e menos de 100 no Brasil.

O Casaquistão faz parte da Rota de seda, milenar, um país por nós mais conhecido pela comédia do Borat, pela exposição mundial em Astana em 2017, mas essencialmente desconhecido. Com a facilidade de chegar lá, via Istambul e com não só uma vida e história interessante, mas com um futuro que nos remete a refletir, e nós, para onde vamos?

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