Lições do futebol para a educação
O futebol é um esporte que move paixões, movimenta um mercado bilionário e incendeia os grupos de WhatsApp de amigos e familiares, mas também pode trazer lições valiosas para o mundo da educação e da liderança. Com o início da Copa do Mundo de Futebol no mês que vem, somos mais de 210 milhões de torcedores e também técnicos, com nossas crenças e preferências. O que os técnicos de futebol, muitas vezes chamados de “professores” pelos jogadores, podem nos ensinar?
No futebol temos técnicos das mais variadas convicções. Carlo Ancelotti, técnico do Brasil, tem uma carreira muito consolidada e é quase uma unanimidade. Já Fernando Diniz, atualmente no Corinthians, é um técnico mais jovem que divide opiniões, na base do ame-o ou deixe-o. Ambos conhecem o ambiente, a pressão por resultados e a cobrança da torcida, mas embora possam ter opiniões diferentes sobre tática e modelo de jogo, compartilham uma visão mais humana dos jogadores.
Ancelotti está na dúvida se leva ou não Neymar para a Copa. Segundo ele, ninguém pode discutir o nível do Neymar, apenas sua condição física, sendo inegável sua liderança e protagonismo na seleção. Esse aspecto pesa tanto quanto o entendimento técnico/tático do jogo e, na minha avaliação, se Neymar estiver minimamente em condições físicas, pode ser uma aposta do treinador para encorpar o emocional de uma seleção brasileira que carece de autoestima.
Do outro lado temos um Diniz em seus primeiros passos em um novo clube, já mudando a filosofia de jogo. Joga no 4.4.2, no 4.3.3, com ponta aberta, com falso nove? Nada disso é central, a grande mudança é o fim do rodízio de jogadores, comum para poupar atletas que disputam várias competições, privilegiando os jogadores que estão em melhores condições emocionais, lidando de forma positiva com o medo, coragem, alegria, entusiasmo. Segundo ele, existe a parte que mede e a parte que sente e os momentos do futebol, assim como a vida, são feitos de sentir.
Dois treinadores, modelos de jogo diferentes, mas uma preocupação comum: os aspectos humanos além do conhecimento técnico. É uma lição que podemos transportar para o mundo da educação. Não basta transmitir apenas conteúdos, reforçar os exercícios e medir com provas, precisamos cuidar para que os aspectos emocionais estejam equilibrados para que o aprendizado seja mais profundo e duradouro. Na educação, assim como no futebol, as táticas mudam, mas é o equilíbrio emocional que mantém a gente no jogo.
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