Giro pelo mundo

Do Brasil na Rota de Seda (De Uzbequistão)

Recentemente, o chanceler Mauro Viera visitou o Cazaquistão e o Uzbequistão

O Brasil inteiro só soube da existência, apesar de mantém relações diplomáticas desde 1993, após a quebra da União Soviética, do Uzbequistão, país sem mar, na Ásia Central, depois da conquista de uma vaga na Copa de 2026. Primeira vez na história, com um time de jovens liderados por Khusanov, zagueiro do Manchester City de 21 anos. É justo dizer que o Itamaraty, que tem visão estratégica do Brasil, também está lá. O Chanceler Mauro Viera visitou o Cazaquistão e esta semana, o Uzbequistão. Com representantes da PETROBRAS, da EMBRAER, que já vendeu aviões ao país, da WEG, e de frigoríficos, a um país que cresceu este ano no primeiro trimestre 8.7 %, com previsão de 6.8 % para 2026. Reservas cambiais de mais de 70 bilhões de dólares, e crescimento de comércio exterior significativo. Em resumo, um mercado com muitos chineses, todos os produtos e marcas americanas, mas aberto para produtos os brasileiros. E com os fertilizantes de que precisamos.

As cidades turísticas, como Bukhara e Samaragand, merecem visita. Mostram uma história de conquistados e conquistadores, que dominaram essa região não são pelo comércio da rota de seda, mas também pelas suas conquistas militares, com que dominaram no século XV um território até a Índia, mas desenvolveram ciência e tecnologia, como na medicina e matemática, que o mundo utiliza até hoje. E que nós, com nossa prepotência ocidental, insistimos em ignorar. Samarcande, considerada centro de cultura islâmica, traz turistas do mundo inteiro e contribui com uma receita de 10 bilhões de dólares por ano, que é melhor não comparar com a receita do turismo no Brasil. Os monumentos exigem muito investimento em conservação, dinheiro que às vezes vem com ajuda internacional.

Impressionante é que 60 % da população de 40 milhões é constituída de jovens abaixo de 30 anos. Bem-educados, procuram emprego pelo mundo afora e enviam para o país mais de 18 bilhões de dólares por ano. Inglês com perfeição é falado por crianças de dez anos e se ensina em todas as escolas, além do uzbek e do russo.

Um país multiétnico, mas predominantemente muçulmano, saiu da URSS, depois de 70 anos sob um jugo brutal. Muitos uzbeks foram enviados para o Gulag, muitos morreram na Grande Guerra patriótica, onde serviram como bucha de canhão e todos perderam todas as propriedades. Isso deixou uma marca profunda na população que, com receio, assiste o que está acontecendo na guerra na Ucrânia com a pergunta, os próximos podemos ser nós?

Os judeus que chegaram nos séculos seis e eram, em especial em Bukara, sustentáculo do comércio na rota de seda, mais de 200 mil no início deste século, foram reduzidos a menos de mil. A opressão soviética, o empobrecimento total, fez a comunidade sair do país. Mas, você pode sem nenhum receio andar com um Maguen David, e será menos incomodado do que em Paris. Mas, o país é muçulmano, o estado constrói mesquitas gigantes e os muçulmanos são muito mais religiosos o do que os católicos. Radicais ou não, estão cada vez mais presentes nesse mundo.

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