Milagres não acontecem todos os dias
O Anel Rodoviário de Belo Horizonte foi mais uma vez palco de um acidente grave provocado por uma carreta sem freios na região conhecida como descida do Betânia, na região Oeste da Capital. Dessa vez, quase por milagre, não houve vítimas fatais, apesar de a colisão, ocorrida na terça-feira (12), envolver 12 veículos.
O gargalo do Anel Rodoviário persiste há anos, e o poder público até hoje não conseguiu avançar de forma concreta para uma solução. Há apenas projetos e promessas que não saem do papel.
A via, que tem três faixas de rolamento, sofre um estrangulamento no viaduto ferroviário, já na região do bairro Vista Alegre, causando retenções e acidentes graves, com dezenas de mortos nos últimos anos. O problema se repete em outros viadutos ao longo da via, que mistura trânsito urbano e rodoviário.
Ao longo dos anos, o que não faltou foram propostas para solucionar um dos maiores entraves de infraestrutura da capital mineira. Uma das soluções já apresentadas compreendia a ampliação da via e a criação de faixas expressas, com a transferência do trânsito local para as marginais. O plano era a transferência da rodovia do governo federal para o Executivo mineiro, que executaria as obras. Porém, entre idas e vindas, o projeto ficou parado e nada foi feito.
Outra alternativa é a construção do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, uma via moderna que pode retirar boa parte do tráfego rodoviário de dentro da cidade. Mesmo com parte dos recursos garantida e com a concessão já assinada, as obras não começaram e podem nem sair do papel. Uma ação judicial movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais paralisou a execução, e o governo mineiro já ameaçou abandonar o plano.
Por fim, a nova esperança é a municipalização do Anel Rodoviário, ocorrida no ano passado. Os investimentos previstos superam R$ 1 bilhão para acabar com os gargalos na via. Apesar de obras de recapeamento, sinalização e construção de alças viárias no entroncamento com a Via Expressa, as grandes intervenções necessárias, como o alargamento do viaduto ferroviário no fim da descida do Betânia, ainda não começaram. Trata-se de uma obra de extrema urgência. É preciso lembrar que milagres não acontecem todos os dias.
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