Economistas elevam previsão da inflação e reduzem a da Selic neste ano, mas não veem mudanças em 2027

Relatório Focus aponta impactos do cenário eleitoral e alta do IPCA, mas mantém projeções para o longo prazo inalteradas
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Economistas elevam previsão da inflação e reduzem a da Selic neste ano, mas não veem mudanças em 2027
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Os economistas aumentaram a previsão da inflação e reduziram a taxa de juros neste ano, mas não realizaram alterações nas expectativas dos principais índices para 2027, apesar da euforia do mercado na semana passada com a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial.

O boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (13), foi o primeiro levantamento com o impacto do resultado eleitoral, já que a pesquisa anterior, anunciada no dia 5, foi encerrada no dia 1º, sexta-feira anterior ao primeiro turno.

Para 2027, os analistas mantiveram a inflação em 4,3%, a taxa de juros em 12% e o PIB (Produto Interno Bruto) em 1,4%.

Para os dois anos posteriores, houve pequenos ajustes mesmo com uma eventual mudança de governo. Os economistas diminuíram a previsão da inflação para 2028 (de 3,8% para 3,79%) e 2029 (de 3,51% para 3,50%) e subiram a do PIB em 2028 (de 1,81% para 1,83%). Já a expectativa para a Selic foi mantida em 10,5% para 2028 e em 10% para 2029.

A alteração mais forte ocorreu nas perspectivas para este ano. A inflação saltou de 5,01% para 5,22%, após o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ter apresentado alta de 0,82% em setembro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na sexta-feira.

A volta da inflação era aguardada com o fim do bônus de Itaipu. Sem esse desconto temporário, a conta de luz subiu 7,98% em setembro. Combustíveis, passagens aéreas e alimentos também ficaram mais caros, pressionando o IPCA.

Outra mudança no Focus foi a queda na previsão da Selic de 13,5% para 13,25%, esperando cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75%. Na semana passada, não havia expectativa de redução em dezembro.

Euforia pós-eleições

A vantagem de Flávio Bolsonaro na primeira etapa da eleição levou a Bolsa a superar 209 mil pontos na sexta-feira (9), maior patamar da história, em uma semana marcada pela disparada das ações. O dólar fechou abaixo de R$ 5 no mesmo dia.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos no primeiro turno contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. O resultado foi visto com otimismo por parte do mercado, que associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva.

A expectativa de alguns agentes de mercado é que uma mudança de governo resulte em maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas, o que poderia favorecer os ativos brasileiros.

Flávio Bolsonaro promete um “tesouraço” de gastos de 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões.

A reportagem apurou que o núcleo do plano prevê a desvinculação dos reajustes da Previdência Social (aposentadoria e outros benefícios) e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim dos pisos constitucionais que atrelam os gastos com saúde e educação ao comportamento das receitas federais.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Fernando Narazaki
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