Economistas sobem previsão da inflação, juros e dólar até 2029 no primeiro Focus com impacto de vitória de Lula

No boletim desta terça-feira (3), os analistas elevaram de 13,25% para 13,5% a projeção para a Selic no fim deste ano
Economistas sobem previsão da inflação, juros e dólar até 2029 no primeiro Focus com impacto de vitória de Lula
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Os economistas elevaram as projeções para os juros, a inflação e o dólar no Brasil até 2029 no primeiro boletim Focus com os efeitos da vitória de Lula (PT) nas eleições de 25 de outubro. O levantamento anterior, divulgado em 26 de outubro, havia sido encerrado antes do segundo turno.

No boletim desta terça-feira (3), os analistas elevaram de 13,25% para 13,5% a projeção para a Selic no fim deste ano. Na semana passada, a expectativa era de dois cortes de 0,25 ponto percentual, nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) de novembro, que define juros na próxima quarta-feira (4), e dezembro, marcada para os dias 8 e 9.

Agora, a expectativa é que o colegiado reduza a taxa atual, de 13,75%, para 13,5% nesta semana e mantenha esse patamar em dezembro. As projeções para os anos seguintes também subiram: 12,5% em 2027 (estava em 11,75%), 11% em 2028 (era de 10% na semana passada) e 10,25% em 2029 (ante 10%).

As expectativas para a inflação também aumentaram. Os economistas passaram a projetar alta de 5,22% neste ano, além de 4,76% em 2027, 4% em 2028 e 3,98% em 2029.

No câmbio, a estimativa para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34.

Ao mesmo tempo, as expectativas para o PIB (Produto Interno Bruto) caíram depois da vitória de Lula. Os economistas esperam um crescimento econômico de 1.76% neste ano, contra 1,8% no boletim da semana passada. Caíram também as previsões para 2027 (de 1,31% para 1,2%) e 2028 (de 1,81% para 1,8%), enquanto a de 2029 foi mantida em 2%.

Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, afirma que a revisão das projeções já era esperada após o primeiro turno das eleições, quando os economistas começaram a incorporar mudanças no cenário político às estimativas econômicas. Segundo ela, o resultado do segundo turno trouxe uma nova surpresa e levou a uma nova rodada de ajustes.

Para a especialista, a piora das expectativas de inflação no horizonte mais longo representa um desafio adicional para o Copom, pois pode indicar um processo de desancoragem das expectativas. Isso acontece quando as projeções dos economistas se afastam da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

“Em 2029, a projeção de inflação avançou 48 pontos-base, a maior variação entre os quatro anos analisados”, diz Paixão.

De acordo com a analista, parte dessa revisão pode ser explicada pela expectativa de um câmbio mais depreciado. Além disso, as projeções podem refletir a perspectiva de uma política fiscal mais expansionista, com potencial de pressionar os preços, principalmente no setor de serviços.

Diante desse cenário, os economistas também revisaram para cima as projeções para a taxa Selic em todos os anos analisados.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, também diz que há uma mudança nas expectativas do mercado no primeiro Focus após as eleições. Segundo ele, os economistas passaram a projetar juros mais altos, crescimento menor e uma inflação mais resistente.

“O problema central deixou de ser apenas a desaceleração da economia e passou a ser a percepção de risco fiscal. A Selic ainda pode cair nos próximos anos, mesmo com a inflação pressionada, porque a atividade econômica está enfraquecendo e os juros reais continuam elevados. Entretanto, acredito que a projeção de 10% para 2028 só voltará a ser viável com um ajuste fiscal convincente, baseado no controle das despesas obrigatórias e na recuperação dos resultados primários”, afirma.

Na Bolsa, Lima afirma que vê um ambiente de maior seletividade, com empresas mais endividadas e dependentes do consumo doméstico mais pressionadas.

Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, também afirma que a piora das projeções reflete as incertezas em torno da condução da política econômica após as eleições. Segundo ele, a falta de clareza sobre medidas de ajuste fiscal, as discussões sobre novos gastos e as mudanças na composição do Banco Central aumentam a percepção de risco e pressionam as expectativas de inflação.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Fernando Narazaki e Júlia Galvão
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Fernando Narazaki e Júlia Galvão

Agência Folhapress


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