Economia

Nova presidente da Copasa, Marília Melo, vê forte apetite do mercado pela venda da estatal

O processo para a venda da participação do Estado na Copasa está em andamento e deve ser concluído ainda no primeiro semestre
Nova presidente da Copasa, Marília Melo, vê forte apetite do mercado pela venda da estatal
Foto: Giulia Simmons / Diário do Comércio

A partir dos movimentos de escuta de consultorias contratadas, existe a percepção de um grande apetite de mercado pela venda das ações do Estado na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), conforme a nova presidente da estatal, Marília Carvalho de Melo. Após ser autorizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o processo de privatização está em curso, com previsão de término para este semestre.

Em exclusiva ao Diário do Comércio, a executiva diz ter certeza de que haverá uma boa disputa pela Copasa. Segundo ela, diversos grupos dos setores de saneamento e financeiro já demonstraram interesse, o que não a surpreende em razão dos atributos da companhia.

“A Copasa é uma companhia muito estruturada. Entre as estatais brasileiras, a empresa apresenta um desempenho bastante diferenciado em relação a outras companhias. Isso ocorre, obviamente, também pela capacitação de nossos empregados, mas pelo modelo de negócio que, especialmente nos últimos anos, durante a gestão do governador Romeu Zema, vem sendo adotado”, afirma.

Veja o vídeo com a entrevista completa:

“Esse conjunto de fatores, por si só, já confere grande atratividade ao mercado. Além disso, a companhia detém concessões em 636 municípios no serviço de abastecimento de água. No caso do esgotamento sanitário, esse número é menor, sendo necessários ainda mais 309 municípios para que haja concomitância entre água e esgoto. É natural que o mercado se interesse pelo processo de desestatização”, complementa.

Uma das favoritas à aquisição é a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que, nesta semana, confirmou que a Copasa lhe interessa. Anteriormente, a Aegea, cotada como forte candidata, manifestou o “sonho” de assumir o comando da estatal mineira. Já circularam rumores de que a Suez e a Perfin – que se tornou, recentemente, a principal acionista privada da empresa de economia mista – também estariam interessadas.

O governo estadual possui 50,03% de participação na Copasa e especula-se a negociação de até 30% do capital, mas o percentual ainda não foi definido, de acordo com Marília Melo. A executiva afirma que estão avaliando e uma premissa interessante é ter um investidor de referência para que a composição de governança se dê da melhor forma possível.

Estudos de modelagem para a desestatização

Conforme a presidente da Copasa, no momento, há estudos para analisar qual a melhor modelagem para a desestatização da companhia. O modelo deve garantir a universalização do saneamento e a segurança da prestação de serviços de qualidade. Sem dar detalhes das opções em avaliação, ela ressalta que outras privatizações, como a da própria Sabesp, servem de benchmarks para as consultorias que auxiliam o processo.

Segundo Marília Melo, modelagens financeiras também estão sendo feitas para maximizar o valor da estatal. Hoje, a Copasa é avaliada em mais de R$ 16 bilhões. Em dezembro, Zema chegou a dizer que a privatização pode movimentar pelo menos R$ 10 bilhões.

Execução de investimentos previstos e redução de custos operacionais, com impacto nas tarifas

Os investimentos da Copasa alcançaram níveis históricos nos últimos anos, e a estatal anunciou que, entre este ano e 2030, investirá mais R$ 21 bilhões no Estado, plano que está atrelado ao avanço rumo ao alcance das metas de universalização. Em meio ao processo de venda da companhia, surgem dúvidas sobre os aportes programados. A presidente sublinha que o modelo da desestatização também deve trazer garantias da execução das inversões.

Outro tema de questionamento, sobretudo por parte da população, são as tarifas praticadas pela Copasa: se irão ficar mais caras após a privatização. Marília Melo salienta que a própria lei que autoriza a desestatização determina como premissas para o processo a aplicação de tarifa social e a garantia de modicidade tarifária.

Ela também destaca que a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) é a responsável por regular os serviços de saneamento e por definir os preços cobrados pela Copasa. Os valores levam em consideração custos fixos e variáveis, reajustes inflacionários e outros pontos, como os investimentos realizados pela companhia, que abrem possibilidades de flexibilização.

Além de potencializar os aportes da Copasa, já que o Estado tem dificuldades em destinar recursos para a companhia, a desestatização, de acordo com Marília Melo, deve melhorar aspectos da operação, por exemplo, diminuindo a burocracia para a substituição de fornecedores que não estão prestando um bom atendimento. Isso tende a reduzir custos operacionais e impactar na análise da Arsae-MG, podendo levar a tarifas mais baixas.

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