Itatiaiuçu aposta em diversificação econômica para se livrar da dependência minerária
A Prefeitura de Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem intensificado a estratégia para reduzir a dependência da mineração e ampliar a base produtiva do município. Atualmente, cerca de 85% da arrecadação ainda está ligada à atividade mineral, principalmente ao minério de ferro.
“Hoje nós ainda somos um pouco reféns da mineração. É a principal fonte de renda do município”, afirma a secretária de Desenvolvimento Econômico, Rosiane Cunha. Segundo dados apresentados pela equipe técnica da pasta, a dependência gira em torno de 85%, uma realidade comum nas cidades mineradoras.
Apesar do cenário, a gestão municipal sustenta que há avanços e ações concretas no processo de diversificação. Prova disso, é a chegada do Supermercado BH à cidade que está trazendo R$ 10 milhões em investimentos e a expectativa de 100 postos de trabalho.
Segundo dados apresentados pela secretária, entre 2022 e 2025, o número de empresas ativas em Itatiaiuçu saltou 52%, passando de 981 para 1.496, considerando negócios de todos os portes: pequeno, médio e grande, dado os incentivos e o trabalho que a prefeitura tem feito.
Paralelamente às novas, três das maiores mineradoras instaladas na cidade como a Arcelor, Minerita e Usiminas somam investimentos estimados em R$ 14,5 bilhões em expansão produtiva.
Segundo a secretária, embora esses aportes ainda estejam ligados ao setor mineral, eles ampliam a arrecadação e permitem ao município investir em políticas estruturantes de diversificação. “Com essa expansão, teremos mais recursos para investir em novos programas e atrair outros setores. Não queremos qualquer empresa. Avaliamos geração de emprego, impacto ambiental, retorno social e integração com a cadeia produtiva local. A meta é construir uma política de cidade, não de governo”, diz a secretária.
Entre os investimentos já confirmados fora da mineração, como a instalação da unidade do supermercado, outras empresas dos setores químico, alimentício, de autopeças e da cadeia produtiva mineral estão em negociação, mas ainda sob cláusula de confidencialidade.
Pacote de incentivos reúne crédito, infraestrutura e qualificação
A estratégia de diversificação está concentrada no programa Itatiaiuçu Conecta, que reúne um conjunto de incentivos estruturados em leis municipais.
Um deles é o Juros Zero, com aporte inicial de R$ 1 milhão em recursos próprios do município. A iniciativa vai subsidiar 100% dos juros de financiamentos contratados por micro, pequenos e médios empresários junto a instituição financeira credenciada. “O empresário paga apenas o valor principal. Os juros são custeados pela prefeitura”, explica a secretária.
Com uma taxa Selic a 15%, a prefeitura pretende, com a ação, não inibir novos investimentos. O financiamento poderá ser parcelado em até 60 vezes, com seis meses de carência. Embora o foco seja micro e pequenos negócios, há possibilidade de adesão de empresas maiores, em caráter excepcional.
Outro diferencial organizado pela prefeitura é o Banco de Áreas, que reúne imóveis públicos e privados aptos à instalação de empreendimentos. Atualmente, são 27 áreas cadastradas, totalizando 2,1 milhões de metros quadrados.
Os terrenos passam por análise prévia das secretarias de Meio Ambiente e Urbanismo. Dependendo do projeto, o município pode conceder o uso da área e até adquirir imóveis estratégicos, conforme critérios técnicos que avaliam geração de empregos, impacto tributário, práticas ambientais e retorno social.
A localização é outra vantagem competitiva que a secretária faz questão de ressaltar. Itatiaiuçu está a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte e às margens da BR-381, com fluxo estimado de aproximadamente 250 mil veículos por dia.
Para estimular a empregabilidade, a prefeitura também mantém o programa Bolsa Trabalho. Nos quatro primeiros meses de contratação, o município paga um salário mínimo ao trabalhador admitido por empresa local. Em contrapartida, a empresa deve manter a vaga por pelo menos um ano.
A iniciativa vale para até 50% do quadro de funcionários da empresa e é aberta a trabalhadores a partir de 16 anos. Segundo a secretária, o programa também incentiva a inserção de mulheres acima dos 40 anos que desejam ingressar no mercado formal.
A formação técnica é outro foco do município. Cerca de R$ 1,6 milhão foram investidos na ampliação da oferta de qualificação profissional, como a parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) para a construção da nova unidade de ensino técnico na cidade.
O ambiente de negócios também é favorável, conforme a secretária. O transporte público municipal opera com tarifa zero e os servidores municipais recebem vale-alimentação de R$ 800. Benefício que, por lei, deve ser gasto no comércio local. “São mais de R$ 500 mil circulando mensalmente no comércio da cidade por meio desse mecanismo”, diz.
Distrito industrial e novo condomínio empresarial
Itatiaiuçu já possui um distrito industrial e planeja implantar um novo condomínio empresarial em área considerada estratégica. O projeto está em fase avançada de planejamento, com Plano Diretor concluído, mas depende de ajustes fiscais e deve ser inaugurado no final deste ano ou início do ano que vem.
Toda a governança dos projetos passa pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico, com composição semelhante entre poder público e sociedade civil. “Queremos empresas que tenham conexão com a cidade e contribuam para o desenvolvimento social, ambiental e econômico. A meta é construir uma política de cidade, não de governo”, finaliza Rosiane Cunha.
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