Multinacional Kohler fecha fábrica em Andradas, no Sul de Minas, e mais de 400 pessoas serão demitidas

A planta industrial era a única da multinacional norte-americana no Brasil
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Multinacional Kohler fecha fábrica em Andradas, no Sul de Minas, e mais de 400 pessoas serão demitidas
Foto: Kohler /Divulgação

A multinacional norte-americana Kohler, fabricante de louças e metais para cozinhas e banheiros, anunciou na última segunda-feira (31) o encerramento das atividades da única planta industrial que operava no Brasil, localizada em Andradas, no Sul de Minas Gerais, além da descontinuidade da marca Fiori.

A unidade empregava diretamente mais de 400 pessoas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e Vidreiros de Andradas, Poços de Caldas e Caldas, Luiz Carlos Ferreira. Os funcionários estavam de férias coletivas há duas semanas e parte deles retornaria ao trabalho nessa terça-feira (1º) quando a decisão foi comunicada.

Ainda conforme Ferreira, os colaboradores ficarão de licença remunerada neste mês e foram informados pela empresa que receberão todos os direitos trabalhistas nas rescisões.

Após a divulgação oficial do fechamento da fábrica, a diretoria do sindicato se reuniu com o gerente de recursos humanos da Kohler no Brasil, Fernando Puccinelli, com o objetivo de iniciar a negociação coletiva e garantir mais benefícios para os trabalhadores afetados. As tratativas seguem e nesta quarta-feira (2) ocorrerá uma assembleia dos funcionários.

A prefeita de Andradas, Margot Pioli (Cidadania), se encontrará na quinta-feira (3) com o representante da empresa para discutir a situação, segundo nota divulgada pela prefeitura.

Após o encerramento das atividades da unidade, a prefeita também iniciou uma agenda em Belo Horizonte para buscar alternativas para o desenvolvimento econômico do município, conforme a prefeitura. Na terça-feira, Margot Pioli se reuniu com a presidente da Agência de Promoção de Investimentos do Estado de Minas Gerais (Invest Minas), Milena Pedrosa.

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Empresa atribui fechamento à reformulação de sua operação no Brasil

Em nota, a Kohler afirma que iniciou uma reformulação de sua operação no Brasil a partir do último dia 31 de agosto, que inclui o fechamento da fábrica no Sul de Minas, assim como a descontinuação da marca Fiori, como parte de uma estratégia para fortalecer sua presença nos segmentos premium e de luxo.

A decisão segue uma revisão completa do portfólio da marca e reflete a necessidade de alinhar os negócios brasileiros com a estratégia mais ampla para otimizar as operações e direcionar investimentos para áreas com maior potencial de crescimento e diferenciação.

A empresa ressalta que continuará a atender o mercado brasileiro, mantendo sua estrutura de distribuição e suporte ao cliente. Atualmente, a Kohler opera 33 Kohler Signature Stores no País e espera encerrar o ano perto de 40 lojas.

“O Brasil continua sendo um mercado estratégico e prioritário para a Kohler, e estamos confiantes de que essa abordagem nos permitirá focar exclusivamente no crescimento da nossa rede de Kohler Signature Stores”, diz o diretor administrativo da Kohler no Brasil e América Latina, Roberto Riolobos, em trecho do comunicado.

Contexto geopolítico e possível venda da planta

Embora não detalhe isso na nota, a diretoria da Kohler indicou, em entrevista à imprensa nesta semana, que o contexto geopolítico também pesou na decisão de encerrar as atividades na planta no Sul do Estado, além da mudança de direcionamento no País.

A empresa citou, por exemplo, que abriu novas fábricas no México, acompanhando o movimento de nearshoring e se aproximando dos Estados Unidos, seu principal mercado consumidor. Outro fator mencionado foi que parte da produção de Andradas era destinada à exportação para os EUA, e o tarifaço norte-americano desestimulou a operação.

A diretoria da Kohler também disse à imprensa que não decidiu o que fará com a unidade em Minas Gerais, mas avalia vender para um concorrente. A multinacional se tornou proprietária da planta em 2014, quando adquiriu a fabricante mineira de louças Fiori.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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