Maxtrack capta R$ 40 milhões em primeira emissão de notas comerciais para expansão
A mineira Maxtrack, considerada referência em tecnologia para rastreamento e gestão de frotas na América Latina, realizou no início deste ano sua primeira emissão de notas comerciais na história. O valor captado foi de R$ 40 milhões. Parceiro da empresa há algum tempo, o Itaú BBA estruturou a operação e também comprou os títulos de dívida.
De acordo com o diretor financeiro da Maxtrack, Fábio Bedran, os recursos serão aplicados na aquisição de matérias-primas, na continuidade da modernização da fábrica em Betim e na área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em Nova Lima. A ideia é acelerar a expansão em 2026 e manter a trajetória de crescimento dos últimos anos.
Fundada em 1999, a empresa teve uma “virada de chave” na pandemia de Covid-19. À época, deixou de apenas produzir e vender dispositivos ao mercado, o que gerava receita transacional, e passou a oferecer serviços atrelados aos equipamentos diretamente ao consumidor final da tecnologia, alongando o fluxo de recebimentos. Com isso, desde 2020, sua receita anual recorrente vem subindo, em média, 40% por ano.
No início dessa transição, a Maxtrack usou somente dinheiro próprio, mas à medida que o modelo de negócios dava resultados, viu que precisava de recursos de fora para expandir mais. Logo, começou a tomar financiamentos e utilizar 50% de capital externo. Após anos com essa estratégia, decidiu dar um novo passo e emitir as primeiras notas comerciais.

Segundo Bedran, a Maxtrack tem um “oceano” de oportunidades no mercado, e o que a impede de avançar além do ritmo atual é justamente a falta de capital. Por isso, levanta recursos por meio de dívida neste momento, mas não descarta a possibilidade de entrada de sócios. Conforme ele, ao realizar uma operação de equity e trazer, por exemplo, um fundo de investimentos, a empresa poderia registrar um crescimento ainda mais significativo.
Abertura de capital também pode acontecer no futuro
Outra estratégia que a Maxtrack tem como opção é a abertura de capital. Realizar uma oferta pública inicial (IPO) não está nos planos atuais, porém pode acontecer em um futuro próximo. O diretor financeiro explica que a empresa já tem estrutura para isso.
“É um passo de cada vez. Primeiro seria o equity, mas se quisermos abrir capital não teríamos problema”, ressalta Bedran. “Para emitir as notas comerciais, a empresa tem que ter governança para estar de acordo com as normas da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], da B3 [bolsa de valores do Brasil] e do próprio Itaú. Mas IPO por enquanto não. Quem sabe daqui a uns três anos. E nada impede que seja no Brasil ou fora”, afirma.
Modernização da fábrica está prestes a ser concluída
Como citado anteriormente, a fábrica da Maxtrack em Betim passa por uma modernização. De acordo com Bedran, o projeto encontra-se na fase de aquisição dos novos maquinários e tem previsão de conclusão para março ou abril deste ano.
O diretor financeiro destaca que o braço de pesquisa, desenvolvimento e inovação da empresa captura as últimas tendências de mercado. Com isso, há uma evolução dos equipamentos a serem lançados e a planta precisa ser modernizada para suportá-los.
“Como fazemos a evolução tecnológica do produto, a fábrica obrigatoriamente precisa caminhar junto”, reitera. “Se não atualizarmos tecnologicamente a unidade, ou paramos de evoluir o equipamento, ou temos que buscar a terceirização da linha de produção, o que não é nosso desejo no momento”, salienta.
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