Leilões de imóveis crescem em Minas Gerais e atraem investidores em busca de rentabilidade
Cerca de 40% dos mineiros ainda não possuem casa própria e, em relação a anos anteriores, a proporção de moradores em imóveis próprios e quitados caiu cerca de 5 pontos percentuais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em paralelo, o segmento de leilão de imóveis registrou crescimento de 25% em Minas Gerais, refletindo uma mudança estrutural na forma como imóveis entram e circulam no mercado.
A alta da taxa Selic, que está na casa dos 15%, impulsionou o aumento dos juros, encarecendo o crédito imobiliário e elevando o valor dos financiamentos, o que contribuiu para o avanço da inadimplência. Como consequência, cresce a quantidade de imóveis disponíveis para leilão, criando um ambiente favorável tanto para investidores quanto para quem sonha com a casa própria, já que os imóveis costumam ser ofertados com descontos relevantes em relação aos preços de mercado.
Nesse cenário, o mercado de leilões de imóveis em Minas Gerais passa por um ciclo de expansão e se consolida como uma alternativa ao mercado tradicional.
Leilões assumem protagonismo
Para o especialista em aquisição e leilão de imóveis e sócio da Smart Leilões, Renan Lopes, o crescimento do setor em Minas está diretamente ligado às transformações do mercado imobiliário e ao desafio habitacional no Estado.
“Os leilões deixaram de ser uma alternativa secundária e passaram a ocupar um papel central no mercado imobiliário mineiro. Ao mesmo tempo em que refletem a dificuldade de acesso à moradia pelo modelo tradicional, eles também ampliam a circulação de imóveis que estavam fora do mercado, criando novas possibilidades tanto para quem quer morar quanto para quem investe”, afirma.
O avanço em Minas Gerais acompanha a tendência nacional. Segundo a Associação Brasileira dos Arrematantes de Imóveis (Abraim), o setor de leilões imobiliários registrou alta de 25,1% em 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. O crescimento é impulsionado, principalmente, pela digitalização dos processos, que ampliou o acesso à informação e profissionalizou o perfil dos compradores.
Bom momento
Na avaliação do maior arrematante pessoa física do Brasil, Fernando Merli, que já acumulou mais de R$ 50 milhões em lucro com imóveis adquiridos em leilão, o momento é especialmente favorável para investidores que buscam uma alternativa de negócios.
“O leilão imobiliário hoje é uma estratégia de investimento estruturada. Em Minas, há um volume crescente de ativos com preços abaixo do mercado, o que permite ganhos na revenda, na locação ou na formação de patrimônio de longo prazo. Quem estuda o processo consegue transformar isso em um negócio recorrente”, explica.
Medo sem sentido
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta resistência por parte de compradores menos experientes, sobretudo por receios jurídicos. Para a advogada Marcela Carillo, com 18 anos de experiência e especialista em Direito Imobiliário, esse medo não se sustenta diante do arcabouço legal brasileiro.
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“A legislação brasileira é clara e oferece segurança jurídica para quem compra imóveis em leilão. Com a devida análise do edital e da matrícula, não há motivo para medo. Os leilões seguem regras rígidas e, quando bem assessorados, são operações tão seguras quanto qualquer outra transação imobiliária”, destaca.
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